Cachoeira do Paiva, um pontos turísticos da Serra do Tepequém, município de Amajarí-RR – FOTO WILLIAM ROTH
Mais de 50 setores do comércio foram afetados com a pandemia do COVID -19, um deles foi o turismo. Responsável por 8,1% do PIB do país o setor já perdeu cerca de R$62 bilhões de reais desde o início de março, quando as atividades foram paralisadas por conta das medidas de contenção do novo coronavírus, de acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Ainda conforme dados da CNC, em 2019 Roraima teve um faturamento de aproximadamente R$333 milhões de reais, o que representou um crescimento de 6% em relação a 2018. A pandemia que provocou o recuo das atividades turísticas no estado e interrompeu os trabalhos de empresários como Luíz Felipe que há pouco mais de um ano entrou no ramo de turismo de aventura.

“Quando eu comecei a ‘engatinhar’ no segmento, veio o COVID-19 e me obrigou a parar com todas as atividades. Esse lockdow empresarial me fez pensar em como diversificar minha linha de ação no setor turístico, pra que eu pudesse ter uma alternativa de recuperação”, comentou o empresário.

A preocupação de Luíz Felipe com a retomada das atividades é a mesma da SEPLAN (Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento), que em meio à pandemia deu início ao início ao trabalho de criação do Plano Estadual de Turismo, que apresenta estratégias e medidas para possibilitar o retorno do setor a partir da segunda quinzena de junho, conforme for diminuindo o número de pessoas infectadas pelo COVID-19 em Roraima. A proposta é que a retomada aconteça de forma gradual, com as empresas adotando medidas de prevenção à disseminação do coronavírus.

Lago Esmeralda, Serra do Tepequém, Amajarí-RR – FOTO MARIVONE MAGALHÃES

O Plano traz medidas como a facilitação de crédito e aporte financeira para empresários do setor e a recuperação da estrada que dá acesso a Vila do Tepequém, no município de Amajarí, um dos principais pontos turísticos do estado, conforme detalhou o secretário da SEPLAN, Marcos Jorge.

“O Banco da Amazônia suspendeu as parcelas dos empréstimos de janeiro a dezembro de 2020 do setor empresarial turístico de Roraima, para aqueles que possuem operações do banco. As parcelas de empréstimos devem ser pagas somente a partir de janeiro de 2021, com a disponibilidade de mais crédito e o governador Antônio Denarium assinou a ordem de serviço para recuperação da RR-203, estrada que dá acesso à Vila de Tepequém, inclusive já existe um processo licitatório para a realização das obras pela Seinf [Secretaria de infraestrutura]”, explicou o secretário.

O empresário Luiz Felipe vê com muita animação a possibilidade do retorno das atividades já no próximo mês, principalmente porque agora ele deverá explorar outra área do setor.

“Eu decidi ajustar as velas do meu barco, digamos assim, agora vou partir para o ramo de bar e restaurante e disponibilizar um ponto de apoio e descanso para turistas, na região da Serra Grande, no município de Cantá. Essa será minha tentativa quando pudermos voltar a trabalhar”, explicou.

Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, dentro da reserva indígena São Marcos, município de Pacaraima-RR – FOTO WILLIAM ROTH

ETNOTURISMO

Uma das novas apostas do setor em Roraima neste ano de 2020 será o turismo em áreas indígenas, uma forma oferecer mais opções de lugares para visitação e de promover a geração de emprego e renda dentro das comunidades. A região do baixo Rio Branco no município de Rorainópolis é um exemplo de um dos lugares onde já é praticado o etnoturismo no estado, com a pesca esportiva. Outra área que deve receber mais visitações é a região da Raposa Serra do Sol que já possui seu próprio Plano de Etnoturismo.

 

Luciana Macedo