Há cerca de quatro décadas, avistar uma baleia-jubarte no litoral brasileiro era uma cena rara. A caça comercial reduziu drasticamente a população da espécie ao longo do século XX, levando os animais a um cenário preocupante. Hoje, a realidade é outra: aproximadamente 35 mil baleias-jubarte passam todos os anos pela costa brasileira durante a temporada de reprodução, um crescimento de 27 vezes em relação a 1986, quando eram estimados cerca de 2 mil indivíduos.
O resultado é apontado por pesquisadores como um dos maiores exemplos de recuperação da fauna marinha no mundo. A mudança começou com a moratória internacional da caça comercial às baleias, adotada em 1986 pela Comissão Internacional da Baleia (IWC), e foi fortalecida no Brasil por iniciativas de pesquisa, monitoramento e preservação dos habitats da espécie.
Todos os anos, entre os meses de junho e novembro, as baleias-jubarte deixam as águas geladas da Antártida e percorrem milhares de quilômetros até o litoral brasileiro em busca de águas mais quentes para acasalar e dar à luz seus filhotes. As regiões dos bancos de Abrolhos, na Bahia, e trechos do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Sergipe e Alagoas concentram alguns dos principais pontos de observação dos animais.
Os números mais recentes, obtidos durante o censo aéreo realizado pelo Projeto Baleia Jubarte, mostram que a população segue em recuperação. O levantamento reforça que a combinação entre a proibição da caça, a criação de áreas protegidas e o trabalho contínuo de pesquisadores foi determinante para evitar a extinção da espécie no Atlântico Sul Ocidental.
Apesar do avanço, especialistas alertam que os desafios permanecem. Emalhamento em redes de pesca, colisões com embarcações, poluição dos oceanos, lixo marinho e os impactos das mudanças climáticas ainda representam ameaças às baleias-jubarte e exigem ações permanentes de conservação.
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