A VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia, realizada de 16 a 20 de março, em Bogotá, integra o caminho iniciado após o Sínodo para a Amazônia, com o objetivo de fortalecer a comunhão entre as Igrejas da região e articular ações pastorais em todo o território amazônico.
Criada em 2020, por iniciativa do Papa Francisco, a CEAMA reúne dioceses e outras estruturas eclesiais dos nove países da Amazônia, promovendo uma caminhada baseada na escuta, no diálogo e na sinodalidade.
Nesse contexto, a Diocese de Roraima participa da assembleia, reafirmando seu compromisso com uma Igreja de rosto amazônico.
Em Roraima, esse caminho já é vivido de forma concreta. Segundo o bispo diocesano, Dom Evaristo Spengler, a sinodalidade se fortalece por meio dos conselhos existentes, como o Conselho Diocesano de Evangelização, os conselhos paroquiais e o Conselho Econômico, ampliando a participação do povo de Deus.
“Caminhar sinodalmente significa esvaziar-se de ser protagonista da evangelização e deixar que o Espírito Santo seja o verdadeiro protagonista”, destaca.
A diocese também conta com uma coordenação sinodal, formada por lideranças pastorais e membros da cúria, que animam o processo de escuta nas comunidades. Em 2025, foram realizadas visitas pastorais em todas as paróquias, áreas missionárias e missões indígenas. Em 2026, o objetivo é avaliar avanços, identificar desafios e definir novos caminhos.
Entre as prioridades estão a iniciação à vida cristã, o fortalecimento das comunidades, a valorização dos ministérios e a promoção de espaços de escuta, como círculos bíblicos e celebrações.
Outro ponto central é a realidade indígena. Em Roraima, mais de 100 mil indígenas, de 12 etnias, fazem parte do território. A Igreja mantém presença junto a povos como Wapixana, Makuxi e Yanomami, em uma caminhada histórica de defesa dos direitos e da dignidade. Esse compromisso inclui a proteção dos territórios diante de ameaças como o marco temporal e o avanço urbano.
“Hoje, precisamos ter uma visão de mundo diferente daquela do passado. Mas o grande desafio é: como garantir o território, preservar a cultura, a língua e o modo de ser dos povos indígenas? Trata-se de uma riqueza profunda, expressa em sua espiritualidade, em sua forma de ver o mundo e a natureza, e na capacidade de perceber Deus em todas as coisas. Os povos indígenas têm muito a nos ensinar.”, afirmou Dom Evaristo.
A participação na assembleia reafirma o compromisso da Diocese de Roraima com uma Igreja que caminha junto, escuta seu povo e se deixa conduzir pelo Espírito Santo, fortalecendo sua missão na Amazônia.
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