Ensinar vai além de transmitir conhecimentos em sala de aula. Antes e depois das aulas, professores precisam planejar atividades, corrigir avaliações e acompanhar as dificuldades de cada estudante. Parte desse trabalho acontece fora do período em que estão diante da turma e nem sempre é percebida por quem acompanha apenas a rotina escolar.
Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, o tamanho da rede de ensino em Roraima e os desafios relatados por quem exerce a profissão ajudam a ampliar a discussão sobre a valorização docente: como transformar o reconhecimento da importância da educação em condições concretas para os profissionais?
A professora de Matemática, Barbara Emilly de Oliveira, de 27 anos, afirma que ser valorizada significa ter o trabalho reconhecido também nas decisões e nas condições oferecidas para exercer a profissão. Para ela, a atividade exige dedicação que ultrapassa o horário em sala de aula.
“Ser professora não é só chegar na sala de aula, dar um conteúdo. Existe toda uma preparação ou uma preocupação com o aprendizado, com as dificuldades de cada aluno. E, muitas vezes, a gente leva essas preocupações pra casa também”, relata.
Na avaliação da professora, o reconhecimento precisa se refletir em respeito, escuta e melhores condições de trabalho.
“A gente precisa ser mais ouvido, respeitado e ter melhores condições para trabalhar. Porque não adianta dizer que a educação é importante se o profissional que está ali todos os dias fazendo a educação acontecer não recebe o seu devido valor”, afirma.
O tamanho da educação em Roraima
De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, com dados referentes a 2025, Roraima reúne 8.946 professores na educação básica, considerando as redes estadual, municipal e privada. No mesmo período, o estado registrou 186.395 matrículas em 908 escolas.
Em âmbito nacional, o Censo Escolar 2024 contabilizou aproximadamente 2,4 milhões de professores na educação básica. Os números mostram a dimensão da categoria e a presença desses profissionais nas diferentes etapas do ensino.
Além de garantir o desenvolvimento das atividades em sala de aula, os professores precisam de tempo e estrutura para preparar conteúdos, avaliar a aprendizagem e buscar estratégias para atender às necessidades dos estudantes. Por isso, a valorização profissional envolve aspectos que vão além do reconhecimento público da importância da educação.
Remuneração e condições de trabalho
A remuneração também integra esse debate. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, o rendimento bruto médio mensal dos profissionais do magistério público da educação básica com ensino superior completo foi de R$ 5.481,01 em 2024. Entre outros profissionais assalariados com a mesma escolaridade, a média foi de R$ 6.368,97.
Os valores são médias nacionais e não representam necessariamente os salários pagos aos professores de Roraima. A remuneração pode variar de acordo com a rede de ensino, a jornada, o vínculo profissional e a carreira.
Para Barbara, as responsabilidades da profissão precisam ser consideradas na discussão sobre salários e condições de trabalho. Além das aulas, a rotina inclui a preparação de materiais, a correção de atividades e o acompanhamento do desempenho dos estudantes.
“Muitas vezes, tudo isso acontece fora do nosso horário de trabalho. E, para conseguir ter uma renda melhor, muitos dos professores precisam trabalhar em mais de um lugar, os dois horários, o que acaba sendo muito cansativo”, relata.
A professora defende uma remuneração compatível com as responsabilidades da carreira e condições que permitam conciliar o trabalho com o descanso e a vida pessoal.
“A gente precisa de uma remuneração mais justa e de condições de trabalho que permitam exercer a profissão com qualidade, mas também ter tempo para descansar e cuidar da própria vida. Afinal, o professor também é uma pessoa que precisa ser cuidada e valorizada”, afirma.
Desafios que vão além do salário
A valorização docente também envolve a estrutura das escolas, o acesso à formação continuada e o tempo destinado ao planejamento pedagógico. Esses fatores influenciam tanto a rotina dos profissionais quanto as possibilidades de acompanhar o desenvolvimento dos estudantes.
Em Roraima, a diversidade de realidades escolares também precisa ser considerada. Unidades localizadas na capital, no interior e em comunidades indígenas podem enfrentar necessidades distintas de infraestrutura, acesso e organização do trabalho pedagógico. Essas diferenças exigem atenção das redes de ensino na definição de políticas e medidas voltadas à categoria.
Neste Dia dos Professores, os números dimensionam a presença desses profissionais na educação, enquanto o relato de Bárbara evidencia aspectos da rotina que nem sempre aparecem nos indicadores. Mais do que homenagens em uma data comemorativa, a valorização docente passa pelo reconhecimento das responsabilidades da profissão e por condições efetivas para que o trabalho seja realizado com qualidade.
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