O Governo de Roraima lançou nesta terça-feira, 30 de junho, o Painel do PIB Trimestral, ferramenta inédita que permite acompanhar, a cada três meses, o desempenho da economia estadual. Desenvolvido pela Seplan (Secretaria de Planejamento e Orçamento) e apresentado à imprensa, o sistema reúne estimativas por setor econômico, séries históricas desde 2020 e dados públicos disponíveis gratuitamente no endereço https://seplan.rr.gov.br/pib-trimestral/.
Com a plataforma, Roraima passa a ser o quarto estado da Região Norte a produzir um indicador próprio desse tipo, ao lado de Pará, Amazonas e Tocantins. A primeira divulgação aponta crescimento real de 7,5% da economia roraimense no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Todas as informações são públicas e podem ser consultadas e baixadas em formatos abertos, como Excel e CSV.
Por que o painel é trimestral
Até o lançamento da ferramenta, a principal referência sobre o tamanho da economia estadual eram as Contas Regionais do IBGE (), divulgadas uma vez por ano e com defasagem de cerca de dois anos.
Na prática, isso significa que o dado oficial mais recente disponível para Roraima é o de 2023. É importante frisar ainda que o painel da Seplan não substitui a estatística oficial: ele usa a mesma metodologia do IBGE e coincide com os números do instituto no período em que ambos existem (2020 a 2023). O que a ferramenta faz é preencher a lacuna dos anos que ainda não foram divulgados oficialmente.
“É como se a gente fosse a uma clínica e o médico tivesse acesso apenas a exames de dois anos atrás para tentar tratar o paciente de hoje”, comparou o chefe da Dieas (Divisão de Estudos e Análises Sociais), Yuri César Silva.
Segundo o secretário titular, Luciano Castro, o instrumento é estratégico para orientar decisões de governo e do setor privado. “É um instrumento importante, permite corrigir eventuais distorções no nosso caminhar, nas aplicações e nos programas de investimentos do Governo do Estado”, afirmou. “Também é importante para instituições como as Federações da Indústria e do Comércio, que podem utilizar esses dados para conduzir seus segmentos econômicos”, completou.
O que o painel muda para o cidadão
A coordenadora-geral da CGEES (Estudos Econômicos e Sociais) da Seplan, Jádila Andressa Gomes, explicou de forma prática como o dado se traduz em decisões, inclusive de políticas públicas.
“Vamos supor que o roraimense queira abrir um negócio no segmento de comércio. Ele olha para o PIB do 1º trimestre e vê que Serviços, que inclui comércio e serviço financeiro, foi o segundo setor que mais cresceu. Isso acende um alerta: esse é um setor que está crescendo no Estado, logo é um ramo em que ele pode investir”, exemplificou.
“Quando a gente vê que o PIB está crescendo, significa que a economia está gerando mais emprego, que estão sendo abertas mais empresas, que o dinheiro está circulando. Isso aumenta a confiança do empresário, que vai contratar mais”, reforçou.
Números positivos do 1º trimestre de 2026
O painel mostra que Roraima produziu cerca de R$ 7,58 bilhões no 1º trimestre de 2026 – a soma de todos os bens e serviços gerados pelos setores econômicos e dos impostos sobre produtos entre janeiro e março. Em 12 meses acumulados, o PIB estadual chegou a R$ 31,7 bilhões.
Descontada a inflação, a economia cresceu 7,5% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Mesmo quando se retira o efeito da sazonalidade – variações típicas do calendário, como safras e vendas de fim de ano –, o resultado ainda é positivo: alta de 5,5% sobre o trimestre imediatamente anterior.
O painel também traz, de forma inédita, estimativas para os dois anos que o IBGE ainda não divulgou: crescimento real de 3,7% em 2024 e de 4,8% em 2025. Em valores correntes, o PIB nominal de Roraima passou de R$ 16 bilhões em 2020 para cerca de R$ 30,9 bilhões em 2025 – praticamente o dobro em cinco anos.
Onde está o crescimento
A leitura por setor mostra o peso decisivo da Administração Pública na economia estadual. Só nos três primeiros meses de 2026, o setor movimentou R$ 4,46 bilhões e cresceu 19,85% em relação ao 1º trimestre de 2025, o que respondeu pela maior parte da expansão do período.
Os Serviços (que reúnem comércio, turismo e sistema financeiro, entre outros) geraram R$ 2,26 bilhões, com alta real de 5,63%. A Indústria movimentou R$ 1,06 bilhão e recuou 4,21%, influenciada pela queda no emprego formal da construção civil na comparação com o começo de 2025. A Agropecuária ficou praticamente estável (R$ 180 milhões, variação de 0,08%), efeito esperado porque a safra principal do Estado se concentra no segundo semestre.
“O que a gente observa é a magnitude da Administração Pública na nossa economia. Mais de 50% desse primeiro trimestre veio da própria Administração Pública, mostrando que é necessária uma boa gestão pública para manter o crescimento do Estado”, avaliou o secretário adjunto Fábio Martinez.
A ferramenta permite acompanhar essa mudança de estrutura ao longo do tempo. Em 2020, a Administração Pública representava 45% do valor adicionado do Estado; em 2025, respondeu por 50,9%. No mesmo intervalo, a Agropecuária avançou de 6,9% para 8,5% e a Indústria, de 11,7% para 13,3%. Os Serviços recuaram de 36,3% para 27,3%.
Como é feito o cálculo
O painel combina dados setoriais coletados no próprio Estado: energia elétrica, emprego formal, safra, folha do setor público, comércio, transporte e crédito, e os organiza em quatro grandes blocos: Agropecuária, Administração Pública, Indústria e Serviços.
O resultado é ancorado aos números oficiais do IBGE no intervalo em que eles existem, e as estimativas para 2024, 2025 e 2026 são revisadas a cada nova divulgação do instituto. Segundo a Seplan, o método foi testado retrospectivamente e apresentou erro inferior a 1,4 ponto percentual, sem acertar a direção do crescimento nenhuma vez errada.
Toda a base de dados e a nota metodológica estão publicadas no próprio painel, o que permite que pesquisadores, entidades empresariais e a imprensa reproduzam os cálculos e questionem os resultados. Para as próximas edições, a ideia é incorporar projeções para os trimestres seguintes e desdobrar ainda o indicador para o município de Boa Vista.
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