O dia 7 de setembro é celebrado no Brasil como o Dia da Independência, data que marca a ruptura política do país com Portugal, oficializada em 1822. O processo, no entanto, começou anos antes e envolveu mudanças políticas, econômicas e sociais que transformaram a relação entre o Brasil e a Coroa Portuguesa.
De acordo com o professor e historiador Marcos Nogueira, para compreender a Independência é necessário voltar a 1808, quando a Família Real Portuguesa deixou Portugal em meio às guerras provocadas por Napoleão Bonaparte e veio para o Brasil.
“Em 1808, a Europa estava passando um momento de turbulência política com Napoleão, e aí a família real sai, ela foge de Portugal, e ela vem para a colônia que nós conhecemos como América Portuguesa”, explica.
A chegada da Corte provocou mudanças na estrutura política do território e aproximou o Brasil das decisões da monarquia portuguesa. Anos depois, com a tentativa de retorno da Família Real a Portugal, grupos políticos locais passaram a defender a permanência de Dom Pedro e a separação do Brasil.
Segundo Nogueira, a ruptura não aconteceu de forma simples ou imediata.
“Então, ela vai ter todo um processo político, militar e também diplomático para que nós tenhamos a independência do Brasil, que foi no dia 7 de setembro de 1822”, afirma.
Foi nesse contexto que ocorreu o episódio conhecido como Grito do Ipiranga, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo. A tradicional imagem de Dom Pedro proclamando a Independência, porém, foi construída posteriormente. O historiador explica que o famoso quadro que representa a cena foi produzido décadas depois do acontecimento.
“O quadro só vai ser pintado em 1888, no final do século XIX, e vai colocar um status de Dom Pedro lá no famoso grito do Ipiranga”, destaca.
A separação de Portugal também teve consequências econômicas. Para efetivar a independência, o Brasil precisou negociar uma indenização com Portugal e contrair um empréstimo junto à Inglaterra. Após a ruptura, o país passou a ser independente, mas continuou sob um regime monárquico, que permaneceu até 1889, quando ocorreu a Proclamação da República.
Mais de dois séculos depois, a data continua sendo utilizada não apenas para lembrar o processo histórico, mas também para refletir sobre o significado da independência nos dias atuais. Para Marcos Nogueira, um país verdadeiramente independente precisa garantir a participação de toda a sociedade.
“O dia de hoje é importante para a gente refletir sobre, de fato, o que é a independência. Se a gente pensa em um país, de fato, independente, ele tem que ser inclusivo para todos e todas, não somente para um grupo que está no poder, que detém o poder”, afirma.
O historiador também questiona até que ponto a independência conquistada em 1822 pode ser considerada completa diante das relações econômicas e políticas mantidas pelo Brasil atualmente.
“Será que, de fato, nós somos independentes em pleno século XXI? Ou a gente ainda depende muito do capital estrangeiro, da força política estrangeira?”, questiona.
Para ele, a reflexão sobre o 7 de setembro deve contribuir para pensar no país que a sociedade deseja construir.
Assim, o 7 de setembro representa não apenas a lembrança de um dos principais acontecimentos da história brasileira, mas também uma oportunidade para compreender como o país foi formado e refletir sobre os desafios que ainda fazem parte da construção de uma sociedade mais inclusiva.
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