A intenção de consumo das famílias de Roraima recuou pelo quinto mês consecutivo em agosto. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) ficou em 107 pontos, uma queda de 1% em relação a julho e de 7% na comparação com agosto de 2025. Segundo a Fecomércio-RR, essa foi a maior retração anual registrada pelo indicador em 2026.
O índice vem perdendo força desde março, quando atingiu 114,4 pontos, e chegou em agosto ao menor nível desde novembro de 2024. Apesar da queda, o indicador permanece acima dos 100 pontos, linha que separa o otimismo do pessimismo entre as famílias.
De acordo com o assessor econômico da Fecomércio-RR, Fábio Rodrigues Martinez, o resultado mostra que o consumidor roraimense segue mais cauteloso.
"Em resumo, consumidor roraimense segue mais cauteloso mês após mês, num movimento que já dura cinco meses seguidos, mas a distância para o comportamento da restante do país vem diminuindo de forma consistente", afirmou.
Em agosto, os indicadores relacionados à situação atual das famílias apresentaram piora. O índice de emprego atual caiu 2,5% no mês, enquanto a renda atual recuou 0,6% e o nível de consumo atual teve queda de 0,9%.
Martinez explica que o resultado de agosto também mudou em relação ao cenário observado em julho.
"Agosto inverteu a lógica de julho. No mês passado, o presente melhorava e o futuro piorava, ou seja, as pessoas estavam vendo que a situação atual estava melhor, mas as expectativas futuras não estavam tão boas assim. Agora é o contrário, o emprego, renda e consumo em queda agora no mês de agosto, enquanto parte das expectativas, como acesso ao crédito, deu um sinal de alívio", explicou.
Entre os indicadores de expectativa, a perspectiva profissional avançou 1,3% em agosto e o acesso ao crédito teve alta de 2,7%, a maior variação mensal entre os componentes do índice. Por outro lado, a perspectiva de consumo caiu 2,2%, enquanto o momento para a compra de bens duráveis recuou 6,7%.
A perspectiva de consumo é o indicador que mais preocupa. Na comparação com agosto do ano passado, houve queda de 24,2%, acumulando oito meses consecutivos de piora. Segundo a Fecomércio-RR, o resultado representa a pior marca da série e reforça a percepção de maior insegurança das famílias quanto à capacidade de consumir nos próximos meses.
O momento para a compra de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, também aprofundou a retração anual. O indicador acumula queda de 19,9% em relação a agosto de 2025.
Já o acesso ao crédito, apesar de continuar no campo negativo na comparação anual, apresentou uma redução no ritmo de queda. O indicador registrou retração anual de 3,4% em agosto, ante quedas de 5,6% em junho e 6,7% em julho.
Roraima se aproxima da média nacional
No Brasil, o ICF também recuou em agosto, com queda de 0,6%, chegando a 104,9 pontos. Apesar disso, o índice nacional ainda está 2,3% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Em Roraima, a variação anual é negativa em 7%.
A diferença entre o índice de Roraima e a média nacional também diminuiu. Em março, a distância era superior a 10 pontos. Em agosto, passou para 2,1 pontos.
No ranking dos 27 estados, Roraima manteve a 14ª posição, a mesma registrada em julho. Entre os sete estados da Região Norte, porém, o estado continua com o menor índice de intenção de consumo das famílias.
Os dados do ICF são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com ajuste sazonal, e foram analisados pela Fecomércio-RR.
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