O debate sobre o fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias para ter apenas um de descanso — ganhou força no Brasil em abril de 2026 e se consolidou como uma das principais pautas em discussão no Congresso Nacional e entre movimentos sindicais e sociais em defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Em Boa Vista, o tema será destaque durante o ato do Dia do Trabalhador, marcado para o dia 1º de maio, às 17h, na Praça das Águas (Portal do Milênio). A mobilização reúne sindicatos, movimentos populares, militantes e trabalhadores em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
Além do caráter político e de mobilização social, o evento também contará com programação cultural. Estão confirmadas as apresentações das cantoras Euterpe, Milena Makuxi, Anne Louise e Mike Guy-Bras, fortalecendo o ato como um espaço de resistência, cultura e valorização da classe trabalhadora.
Segundo o representante do Movimento Frente Brasil Popular, Benedito Albuquerque, a mobilização representa um momento importante de diálogo com a sociedade sobre dignidade e qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros.
“Não é apenas uma discussão sobre carga horária. Estamos falando de saúde, convivência familiar, tempo de descanso e dignidade humana. O trabalhador brasileiro merece viver além do trabalho. Por isso convidamos toda a população para participar desse grande ato do 1º de Maio em Boa Vista”, afirmou o representante.
De acordo com as propostas em tramitação no Congresso Nacional, a mudança na jornada deverá seguir diretrizes consideradas fundamentais pelos movimentos trabalhistas:
- Manutenção integral dos salários;
- Mais dias de descanso e melhor qualidade de vida;
- Combate ao adoecimento físico e mental causado pelas jornadas excessivas;
- Aplicação para contratos atuais e futuros, incluindo regimes integrais, parciais e especiais.
Movimentos sindicais apontam que a escala 6x1 contribui para o aumento de problemas como estresse, exaustão, ansiedade e Lesão por Esforço Repetitivo (LER), afetando diretamente a saúde da população trabalhadora.
Para a diretora da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Roraima (Sesduf-RR), professora Maria do Socorro Silva, o debate precisa envolver toda a sociedade.
“O fim da escala 6x1 representa um avanço civilizatório. Garantir mais tempo de descanso significa também promover saúde, fortalecer os vínculos familiares e ampliar a qualidade de vida da classe trabalhadora. Essa é uma pauta que interessa a toda a sociedade”, destacou.
Após avançar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta seguirá para análise em Comissão Especial antes de ser votada nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Organizações sindicais e movimentos sociais seguem mobilizados em todo o país pela aprovação da medida, defendendo que a redução da jornada de trabalho sem redução salarial representa um passo importante na construção de relações de trabalho mais humanas e equilibradas.
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