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CHAME completa 17 anos com atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica

Serviço oferece acolhimento psicológico, jurídico e social para apoiar mulheres na superação da violência.

CHAME completa 17 anos com atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica
SupCom ALERR – Eduardo Andrade | Jader Souza
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O Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame), programa vinculado à Secretaria Especial da Mulher (SEM) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), completa 17 anos nesta terça-feira (18). O órgão é um local de acolhimento, orientação e encorajamento ao público feminino, vítima de todos os tipos de violência.

De acordo com a diretora da SEM, Glauci Gembro, a rede de atendimento do Chame vai além da proteção às mulheres. “Foram criados novos projetos voltados à prevenção, fortalecimento da autoestima, suporte à família e acompanhamento psicológico”, explica.

Segundo Glauci, além do atendimento individual feito pela equipe multidisciplinar, o Chame acolhe as mulheres com atividades de lazer (como aulas de dança), oficina de defesa pessoal e caravanas nos municípios do interior, levando serviços de cidadania e orientação às mulheres.

“O Chame cresceu muito. Hoje, não somos apenas uma secretaria que atende mulheres vítimas de violência. Cuidamos da mulher como um todo, levando ações de prevenção, acolhimento e empoderamento”, pontua.

Entre os projetos implantados está o grupo terapêutico “Flor de Lótus”, criado para complementar o atendimento psicológico individual. A iniciativa reúne mulheres em encontros conduzidos por profissionais especializados, proporcionando um espaço de escuta, amparo e troca de experiências.

Glauci relata que o programa já acumula diversas histórias de superação. “Percebemos que apenas o atendimento individual não era o suficiente. Criamos o grupo para que essas mulheres também fossem cuidadas umas pelas outras, com acompanhamento profissional. Temos histórias muito bonitas de mulheres que reconstruíram suas vidas”, ressalta.

Outra iniciativa é o grupo reflexivo “Reconstruir”, destinado a homens autores de violência doméstica que cumprem medidas judiciais. Atualmente, cerca de 65 participantes frequentam encontros realizados duas vezes por semana, nos períodos da manhã e da tarde.

Acolhimento infantil

O Chame também as crianças e adolescentes. Um dos projetos mais recentes é o “Cuidar para Curar”, voltado ao acompanhamento dos filhos que presenciaram episódios de violência dentro de casa. Considerado pioneiro no estado, a iniciativa atende mais de 20 crianças, que serão assistidas por, aproximadamente, um ano, recebendo acompanhamento psicológico e social.

Além do atendimento infantil, assistentes sociais realizam visitas domiciliares para avaliar as condições estruturais das famílias, e, quando necessário, as encaminham para programas sociais do Estado.

“Hoje, conseguimos cuidar não apenas da mulher, mas também da criança que presencia a violência, bem como orientamos o agressor. O Chame passou a olhar para toda a família”, frisa a diretora da SEM.

Desenvolvendo e fortalecimento do amor-próprio

O Chame oferta aulas gratuitas de defesa pessoal e de jazz. As atividades, segundo Glauci, ajudam no fortalecimento da autoestima e preparam as mulheres para situações de risco. Devido à alta procura, as turmas possuem lista de espera.

Para as mulheres em tratamento contra o câncer, que perderam os cabelos, foi criada a campanha permanente “Mechas de Esperança”, que arrecada lenços, bem como recebe doações de fios de cabelos para confecção de perucas. “Recebo ligações de pessoas dizendo que, depois do atendimento, voltaram a ver a mãe sorrindo. É isso que nos motiva. Quando uma mulher recupera a vontade de viver, percebemos que todo o trabalho valeu a pena”, conta Glauci.

O Centro Oncológico de Roraima (Cecor), especializado no tratamento de pacientes com câncer, é parceiro do projeto. “Hoje, as pacientes oncológicas podem chegar aqui no Cecor e escolher a peruca que mais se adeque ao seu rosto e ao seu estilo”, informa a sócia da unidade, Juliana Gomes.

Conforme ela, a unidade abraçou a causa por entender ajuda no tratamento das pacientes. “Por isso, a gente precisa sempre desse engajamento da doação. Essa parceria é muito importante porque as pacientes se sentem acolhidas de alguma forma. Enquanto cuidadores, a gente se sente muito feliz que tenhamos parceiros. Quando você tem uma rede de apoio, uma equipe que está ali olhando para você e falando: ‘estamos aqui’, também, é muito importante”, completa.  

Histórias de superação

Ao relembrar os 17 anos de funcionamento do programa, a diretora da SEM salienta que os resultados mais marcantes são as histórias de mulheres que conseguiram reconstruir suas vidas após o atendimento, como é o caso da professora Regina Rocha, de 56 anos, que, em 2024, buscou o Chame enquanto enfrentava um período de grande vulnerabilidade emocional.

“Eu já conhecia o trabalho da instituição há muitos anos. Foi o primeiro lugar que me veio à mente quando pensei em procurar ajuda. Aqui, encontrei acolhimento, respeito e apoio”, afirma.

Para ela, o acompanhamento individual de psicólogas, terapeutas, assistentes sociais e advogadas foi fundamental em seu processo de recuperação e, a participação no grupo terapêutico ‘Flor de Lótus’ marcou uma fase de renascimento e retomada da própria vida. “Foram necessárias várias terapias para eu compreender que estava imersa em um ciclo abusivo e que precisava romper a situação, além de buscar meus direitos e denunciar”, comenta.

Resgate da identidade e da autoestima

A professora também relata que, antes do acompanhamento, priorizava sempre o outro e se deixava de lado como mulher. “O Chame me ajudou a recuperar a autoestima e a percepção sobre meu próprio valor. Agora, eu consigo viver mais tranquilamente. Desde o dia em que cheguei, até aqui, me considero vitoriosa, pois, nem todas conseguem sair desse ciclo”, avalia.

Para Regina, o amor-próprio não significa apenas gostar da aparência, mas se respeitar, reconhecer seu valor e não permitir que outra pessoa determine quem ela deve ser. “Desejo compartilhar minha experiência para incentivar outras mulheres a buscarem por ajuda”, enfatiza.

FONTE/CRÉDITOS: SupCom ALERR – Suzanne Oliveira
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