O palco será também um espaço de memória e reencontro. Para celebrar 25 anos de atuação nas artes cênicas de Roraima, o Criart Teatral realiza, de 15 a 22 de novembro, o “Festival Criart 25 Anos: Nossa História em Cena”, no Teatro Municipal de Boa Vista. A programação reúne seis espetáculos do repertório do grupo e uma exposição comemorativa. Todas as apresentações terão entrada gratuita, com possibilidade de contribuição voluntária pelo sistema “Pague Quanto Puder”.
Fundado em agosto de 2001 pela atriz e diretora Kaline Barroso, o Criart Teatral construiu uma trajetória dedicada à produção artística, à formação e à democratização do acesso à cultura. Ao longo de duas décadas e meia, o grupo desenvolveu espetáculos para públicos de diferentes idades, participou de festivais regionais e nacionais e conquistou reconhecimentos, entre eles o Prêmio Myriam Muniz de Teatro e premiações no Festival de Teatro da Amazônia.
“Tenho muito orgulho da história que construímos. O Criart nasceu na minha família e, pouco tempo depois, comecei a selecionar atrizes e atores, percorrer escolas e bairros, levando a arte por todos os cantos de Roraima. Quando olho para trás, passa um filme na minha cabeça, com tudo o que vivemos e construímos. Hoje, ver o grupo reconhecido em todo o Brasil e receber convites para participar de projetos, festivais e apresentações em diferentes estados é motivo de muita alegria e realização”, celebra Kaline.
Do drama à palhaçaria, repertório atravessa gerações
O repertório transita entre o teatro infantil, a palhaçaria, a poesia, a performance e o drama, com histórias que abordam desde a imaginação e o humor até questões relacionadas à experiência feminina, às relações familiares e à condição humana. A programação começa no dia 15 de novembro, domingo, com duas apresentações na Sala Roraimeira. Às 15h, o público poderá assistir a “João e Maria”, adaptação do clássico conto dos irmãos Grimm que combina humor e sensibilidade para abordar temas como violência doméstica, perda e trabalho infantil. Às 19h, será apresentado "A Santa Casa”, espetáculo protagonizado por quatro atrizes que percorrem diferentes experiências femininas. A peça aborda família, sexualidade, violência, amor e transformações sociais.
No dia 20 de novembro, sexta-feira, às 20h, o Teatro Escola recebe “Clarices”, montagem inspirada na obra de Clarice Lispector que une poesia e performance para explorar questões sobre identidade, existência e as múltiplas experiências de ser mulher.
A programação segue no sábado, 21 de novembro, às 20h, com o premiado “Cordel do Amor Sem Fim”. O drama contemporâneo acompanha os encontros e desencontros amorosos das irmãs Carminha, Madalena e Tereza, em uma narrativa sobre paixões, desejos, escolhas e relações familiares.
O encerramento será no domingo, 22 de novembro. Às 16h, “Tiquim”, espetáculo de palhaçaria protagonizado por Mulica, Dona Jura, Caramela, Trambolho e Sidó, que vivem uma sequência de confusões e situações divertidas a partir de um misterioso convite. Às 19h, o público poderá conferir “A Formiga Fofoqueira”, montagem que mistura fantasia e realidade em uma história ambientada no campo, com personagens inusitados e muita imaginação.
Exposição resgata 25 anos de história
Além dos espetáculos, o festival terá a exposição “Criart Teatral – 25 Anos”, que reúne fotografias, registros e memórias de diferentes momentos da trajetória do grupo. A abertura será no dia 15 de novembro, no hall do Teatro Escola, no Teatro Municipal de Boa Vista. A exposição ficará aberta à visitação até 22 de novembro.
A iniciativa também é uma homenagem aos artistas, técnicos, alunos, colaboradores e espectadores que fizeram parte dessa caminhada. Mais do que revisitar produções passadas, a mostra propõe um encontro entre diferentes gerações que ajudaram a manter o teatro em movimento em Roraima.
Há 20 anos no Criart Teatral, a atriz Jayne Cardoso celebra a oportunidade de contribuir para o cenário cultural do estado e levar seu trabalho a mais de dez estados brasileiros. “São diversas experiências artísticas que moldaram quem sou e me completam como ser humano”, afirma.
Teatro acessível e contribuição voluntária
Todas as apresentações terão entrada gratuita. O público também poderá contribuir espontaneamente pelo sistema “Pague Quanto Puder”, inspirado na tradição do chapéu do teatro de rua, em que os artistas convidam os espectadores a colaborar com o trabalho apresentado.
A contribuição poderá ser feita em dinheiro ou por QR Code, sem valor mínimo ou obrigatoriedade. A iniciativa busca valorizar o trabalho artístico e aproximar o público da produção cultural, respeitando as possibilidades de cada espectador.
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