Neste 21 de abril, o Brasil relembra Tiradentes, um dos nomes mais conhecidos da luta contra o domínio português no período colonial.
Mas, além da versão tradicional apresentada nos livros de história, a data também abre espaço para refletir sobre como essa narrativa foi construída ao longo do tempo e como Tiradentes se tornou um símbolo nacional.
Em entrevista à Rádio Monte Roraima, o doutor em História Marcos Nogueira explica que a Inconfidência Mineira, movimento associado a Tiradentes, não teve caráter popular, mas foi articulada por setores da elite colonial, em um contexto de forte cobrança de impostos pela coroa portuguesa.
“Tiradentes, o Joaquim José da Silva Xavier, está dentro de um contexto do século XVIII, ligado à Inconfidência Mineira. Mas é importante entender que esse movimento não era popular, era um movimento da elite, insatisfeita com a cobrança de impostos da coroa portuguesa. E a figura de Tiradentes, como herói nacional, só vai ser construída muito tempo depois, já na República”, explica.
Segundo o historiador, a imagem de Tiradentes como herói foi consolidada apenas após a Proclamação da República, no final do século XIX, quando o novo regime buscava símbolos para fortalecer a identidade nacional.
Ele também destaca que a representação mais conhecida de Tiradentes não corresponde a registros históricos.
“Não temos imagens reais de Tiradentes. A figura que conhecemos foi construída, inclusive com traços semelhantes aos de Jesus Cristo, como barba e cabelos longos, para gerar identificação em um país de tradição cristã”, afirma.
De figura histórica a símbolo nacional, Tiradentes segue sendo lembrado neste 21 de abril como personagem central da história do Brasil e também como ponto de partida para reflexões sobre como a história é contada e interpretada ao longo do tempo.
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