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Mães atípicas transformam óleo usado em renda, acolhimento e esperança

Oficina em Boa Vista une empreendedorismo, sustentabilidade e saúde mental no apoio a mulheres que vivem a maternidade atípica.

Mães atípicas transformam óleo usado em renda, acolhimento e esperança
Foto: Lauany Gonçalves
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Mães atípicas que cuidam de filhos neurodivergentes, como crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), costumam viver uma maternidade distante do convencional.

Entre consultas, terapias, crises, rotina intensa e a necessidade de atenção constante aos filhos, muitas acabam deixando a própria vida em segundo plano.

É pensando nessas mulheres que a Associação Anjos de Luz, em Boa Vista, desenvolve oficinas voltadas à geração de renda, acolhimento e saúde mental. Uma delas, realizada semanalmente, ensina a produção de sabão líquido a partir de óleo de cozinha usado, uma atividade simples, mas que tem transformado a rotina de mães atípicas por meio do empreendedorismo, da convivência e até da terapia ocupacional.

Sabão líquido produzido a partir de óleo de cozinha usado. Foto: Lauany Gonçalves

A atual presidente da associação, Conceição Gomes, explica que o projeto surgiu justamente da necessidade de acolher essas mães, que muitas vezes vivem exclusivamente em função dos filhos.

“É uma mãe que tem que ter o cuidado direto quase o tempo todo com o filho. Ela fica muito em casa, fica ociosa, a vida dela é cuidando daquele filho. E, às vezes, a sociedade e o poder público têm um cuidado com o filho autista, mas não têm o cuidado com essa mãe. E, às vezes, essa mãe está precisando mais de cuidado do que o próprio filho. Então, a gente viu a necessidade de fazer esse projeto vinculado com o Rotary e o MPT”, destacou.

A oficina reúne mães que compartilham histórias parecidas. Entre elas está Verdiana Araújo, de 47 anos, mãe de dois filhos. Um deles, de 12 anos, é autista e também apresenta suspeita de epilepsia.

Acostumada a dividir o tempo entre consultas, cuidados e responsabilidades dentro de casa, a dona de casa enxerga na maternidade atípica uma experiência desafiadora, mas também cheia de aprendizado.

“Mães atípicas são pessoas abençoadas por Deus para aprender muito com a vida. Os autistas são o futuro da gente. Cada dia que passa, a gente vê mais crianças autistas. Então precisamos ensinar nossos filhos a seguir a vida e aprender algo que sirva para eles no futuro”, afirmou.

A maternidade atípica faz parte da rotina de Verdiana há mais de uma década. Foto: Lauany Gonçalves

Nos últimos anos, o aumento dos diagnósticos e da discussão sobre neurodivergência tem tornado mais visível a realidade enfrentada por famílias atípicas em todo o Brasil.

Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,4 milhões de pessoas vivem com diagnóstico de autismo no país.

Já uma pesquisa do Instituto PENSI (Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), vinculada à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), revela que famílias com autistas gastam, em média, R$ 1.859 a mais por mês do que famílias típicas. Os custos podem chegar a ser três vezes maiores, principalmente nas áreas de saúde, educação, transporte e alimentação.

Diante dessa realidade, a oficina também surge como alternativa para complementar a renda familiar.

Simples de produzir e com possibilidade de venda dentro da própria comunidade, o sabão líquido acaba se tornando uma oportunidade acessível para muitas dessas mulheres.

Para Verdiana, o curso representa uma possibilidade de independência financeira.

“Conforme eu for produzindo o sabão, vou conseguir ganhar dinheiro e ter minha liberdade financeira. Isso vai me ajudar com a medicação do meu filho, com a alimentação e com tudo que ele precisa”, contou.

A dona de casa Milene Martinho, de 52 anos, também participa da oficina. Ela é mãe de dois filhos, sendo um deles um autista de 34 anos.

Ao longo da vida, Milene aprendeu a transformar as dificuldades da maternidade atípica em acolhimento e troca com outras pessoas. Para ela, o aprendizado adquirido na oficina ultrapassa a questão financeira.

“É muito proveitoso aprender porque eu posso passar esse conhecimento para frente. Não só para mim, mas para outras pessoas também. Eu trabalho ajudando a comunidade, então isso é muito contagiante e muito bom”, disse.

Milene pretende ampliar o conhecimento adquirido. Foto: Lauany Gonçalves

A geração de renda aliada à preservação ambiental

Além da geração de renda para as mães atípicas, a oficina também contribui para a preservação ambiental ao reutilizar óleo de cozinha que poderia ser descartado incorretamente.

O óleo usado é altamente poluente e pode causar diversos prejuízos quando jogado em pias, ralos ou diretamente no solo.

O reaproveitamento do óleo reduz danos ambientais e gera novos produtos. Foto: Lauany Gonçalves

O professor de química da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Francisco Panero, alerta que muitas pessoas ainda acreditam que descartar o óleo nas calhas de drenagem é uma solução, mas isso também provoca contaminação.

“Uma gota de óleo pode contaminar aproximadamente mil litros de água. Esse descarte acaba atingindo igarapés e rios. Mesmo quando o óleo chega às estações de tratamento, é difícil fazer a retirada dele. O processo fica mais demorado e mais caro”, explicou.

Segundo o professor, o descarte no solo também pode gerar impactos ambientais significativos.

“Esse óleo cria uma película no solo, pode penetrar e chegar ao lençol freático, contaminando águas subterrâneas. Então, seja na pia, no ralo ou no chão, o descarte sempre vai contaminar água e solo”, alertou.

Estudos da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) apontam que o descarte correto do óleo pode reduzir em até 16% os custos do tratamento de esgoto.

A reutilização do óleo para produção de sabão aparece, então, como uma alternativa sustentável e acessível.

A fiscal de loja Idalia da Silva participou da oficina para aprimorar os conhecimentos e conta que já tinha o hábito de armazenar o óleo usado em casa.

“Esse curso traz o benefício de aproveitar o óleo que temos em casa. Além disso, a gente pode empreender, ganhar um dinheiro e ainda evitar prejudicar o meio ambiente”, afirmou.

Verdiana e Idalia já adotavam cuidados com o descarte do óleo de cozinha. Foto: Lauany Gonçalves

Guardar o óleo em garrafas PET é um dos métodos mais comuns de armazenamento. Na casa de Verdiana, esse cuidado já faz parte da rotina.

Moradora de um apartamento no térreo, a dona de casa explica que o cuidado começou pensando também nos impactos para os vizinhos.

“Eu moro no térreo de um prédio. Se eu entupir a encanação, os vizinhos de cima também serão prejudicados. Então eu prefiro separar o óleo e evitar situações desagradáveis para o meio ambiente e para as pessoas”, disse.

Milene também já tinha o hábito de armazenar óleo usado em casa.

Hoje, ela vê na reutilização uma forma simples de contribuir com o meio ambiente e ainda transformar um resíduo em produto útil.

“Eu tenho cerca de cinco litros de óleo guardados em casa. É uma preocupação com o meio ambiente, porque a gente evita jogar no ralo e ainda consegue reutilizar algo que já foi usado”, contou.

Em Roraima, diferentes campanhas incentivam o descarte correto do óleo de cozinha. Uma delas é realizada pelo Departamento de Química da UFRR.

Há seis anos, o projeto “Produção de Sabão e Saberes” promove oficinas voltadas a crianças, jovens, adultos, estudantes universitários, imigrantes e comunidades em geral.

“São oficinas de capacitação em que as pessoas coletam o óleo que seria descartado e transformam em sabão em barra, sabão líquido e outros produtos. Também incentivamos o reaproveitamento de materiais como garrafas PET e caixas de leite para armazenar o produto”, explicou Francisco Panero.

Francisco Panero é professor de Química da UFRR. Foto: Lauany Gonçalves

Terapia ocupacional e acolhimento

Mais do que renda e sustentabilidade, a oficina também funciona como um espaço de escuta e acolhimento para as mães atípicas.

Em meio à rotina intensa de cuidados, muitas dessas mulheres acabam deixando a própria saúde mental em segundo plano, convivendo diariamente com exaustão física e emocional.

Em meio ao preparo do sabão, as participantes compartilham experiências, inseguranças e desafios da rotina. Muitas chegam cansadas emocionalmente, sobrecarregadas pela responsabilidade diária dos cuidados com os filhos.

Conceição conta que o momento da produção do sabão acaba se transformando também em uma roda de conversa.

“Quando elas chegam, muitas vezes vêm estressadas. E a gente conversa, acolhe, mostra que vai dar certo. Às vezes elas trazem os filhos também. Então elas percebem que não estão sozinhas, que existem outras mães passando pela mesma situação”, relatou.

Para a psicóloga Adriana Portto, atividades como essa ajudam não apenas na geração de renda, mas também na saúde mental dessas mulheres, que muitas vezes precisam adaptar toda a rotina em função dos filhos.

“Além de buscar saúde mental, é uma oportunidade de conciliar trabalho e rotina familiar. E também é terapêutico manusear, criar e produzir algo”, destacou.

Acostumada a concentrar grande parte da vida nos cuidados com o filho, Verdiana conta que a oficina tem permitido enxergar novas possibilidades.

“Está sendo muito bom para mim, porque é uma coisa em que eu vou me concentrar não só no meu filho e na minha casa, mas também na minha vida financeira”, disse.

Além do acolhimento emocional, a atividade também pode criar oportunidades de aprendizado e desenvolvimento para toda a família.

“Fazer com que a criança aprenda algo novo é uma arte. Isso também pode estimular outras habilidades, como a psicomotricidade e o cognitivo”, explicou Adriana.

Adriana Portto atua na área do desenvolvimento infantil. Foto: Lauany Gonçalves

Verdiana já pensa em levar o aprendizado para dentro de casa e ensinar os filhos a produzirem o sabão.

“Posso ensinar futuramente o meu filho a fazer, e outras pessoas também. Minha filha pode aprender e meu filho já me ajuda em muitas coisas dentro de casa. Isso vai impactar na minha vida e na vida deles”, afirmou.

Os desafios da maternidade atípica

A maternidade, por si só, já pode trazer exaustão, sobrecarga e falta de rede de apoio. Na maternidade atípica, esses desafios costumam ser ainda mais intensos.

Além da rotina de terapias, consultas e acompanhamento constante, muitas mães precisam lidar com o medo, a insegurança e a falta de compreensão da sociedade.

Milene conta que o processo costuma começar antes mesmo do diagnóstico oficial, quando a família percebe que a criança apresenta comportamentos diferentes.

Para ela, muitas mães não estão preparadas para lidar com a notícia e precisam aprender tudo sozinhas.

“A gente começa a perceber que aquela criança tem comportamentos diferentes. Não existe receita e nem cartilha. Tudo que eu vivi, ninguém me ensinou. Eu tive que descobrir sozinha e isso foi muito difícil”, relatou.

A troca de experiências aproxima mulheres que vivem desafios semelhantes. Foto: Lauany Gonçalves

Verdiana destaca que a rotina exige paciência constante.

“Essas crianças são muito inteligentes. Todo santo dia existe um processo de ensinar, repetir e acompanhar. Eles vão aprendendo aos poucos”, contou.

Outro desafio enfrentado por essas mulheres é o preconceito e a dificuldade de inclusão.

Em muitos casos, além da sobrecarga emocional, elas também enfrentam olhares de julgamento, comentários insensíveis e a dificuldade de fazer com que a condição dos filhos seja compreendida.

“Você não sabe como o mundo vai receber o teu filho. Muitas pessoas não conseguem entender aquela condição. Até o diagnóstico ser reconhecido, é um processo muito desafiador para essas mães”, afirmou Milene.

Na rotina da maternidade atípica, a repetição costuma fazer parte do aprendizado diário. Muitas mães precisam ensinar a mesma tarefa diversas vezes até perceber pequenos avanços no desenvolvimento dos filhos.

“As pessoas precisam abrir a mente para entender melhor uma criança atípica. Elas são muito inteligentes, e é ao longo do tempo que a mãe atípica vai ensinando os filhos”, disse Verdiana.

A psicóloga Adriana Portto explica que o acompanhamento constante é essencial para o desenvolvimento da criança.

“É um trabalho de formiguinha. Muitas vezes, a mãe precisa repetir os ensinamentos nos afazeres mais simples da rotina. É um trabalho árduo, que gera sobrecarga, mas que é necessário para o desenvolvimento da criança”, destacou.

O apoio da Associação Anjos de Luz

Sede da associação fica localizada no bairro Caranã, em Boa Vista. Foto: Lauany Gonçalves

Os filhos das mães que participam da oficina também são atendidos pela Associação Anjos de Luz.

Para muitas famílias, o espaço acaba se tornando uma rede de apoio essencial diante da rotina intensa de consultas, terapias e acompanhamentos especializados.

Para Milene, o apoio da instituição faz diferença.

“Depois que conheci o Anjos de Luz, consegui trazer meu filho para atendimento odontológico, atendimento médico e outras atividades. Isso ajuda muito na convivência dele com outras pessoas”, contou.

A entidade foi fundada há cerca de 17 anos por Maria das Dores, falecida em 2022. Oficializada em 2008 e declarada de utilidade pública em 2014, a associação nasceu para acolher pessoas com deficiência e servir como casa de passagem para famílias do interior, de outros estados e até de países vizinhos que precisavam permanecer em Boa Vista durante tratamentos médicos.

Hoje, o espaço oferece atendimentos gratuitos em diferentes áreas.

“A gente tem terapia ocupacional, hidroterapia, fisioterapia, pilates, atendimento psicológico, psiquiátrico, neurológico, nutrição, além da entrega de cestas básicas, frutas e verduras”, explicou Conceição.

A Associação Anjos de Luz atende pessoas com deficiência dos 15 municípios de Roraima e também das regiões de fronteira.

A sede fica localizada na Avenida Soldado Polícia Militar João Alves Brasil, nº 115, no bairro Caranã, zona Oeste de Boa Vista.

Segundo Conceição, a previsão é que mais seis polos de produção de sabão sejam implantados ainda este ano.

“Queremos incentivar o empreendedorismo, a geração de renda e ajudar essas mães a conseguirem se manter através desse trabalho”, afirmou.

Confira um resumo em vídeo da reportagem:

Como o sabão é produzido

Cercadas por bacias, recipientes e garrafas PET, as participantes acompanham atentamente cada etapa da produção.

Enquanto os ingredientes são separados e preparados, Conceição orienta sobre armazenamento correto, reutilização dos materiais e cuidados necessários durante o preparo.

A oficina é conduzida pela presidente da associação, Conceição Gomes. Foto: Lauany Gonçalves

Ela aprendeu sozinha a produzir o sabão líquido e hoje compartilha o conhecimento com outras mães e pessoas interessadas em aprender uma nova fonte de renda.

A produção acontece em uma sala ventilada, com portas e janelas abertas durante toda a oficina. Apesar da praticidade, o processo exige cuidados por envolver produtos químicos.

“É preciso usar luva, máscara e estar em um local arejado. Em casa, também é importante manter crianças e animais afastados durante o preparo”, alertou.

A produção é rápida e utiliza ingredientes acessíveis, o que facilita o reaproveitamento dentro da própria comunidade.

“Usamos um litro de óleo usado, 900 gramas de soda cáustica, um litro de álcool, um quilo de sal e um quilo de açúcar. Com cerca de 48 reais em material, é possível fazer 100 litros de sabão líquido”, explicou.

Além de ensinar a receita, a oficina também reforça a importância do armazenamento correto do óleo. Isso porque a qualidade do material interfere diretamente no resultado final do produto.

“Não é qualquer óleo que pode ser utilizado. Se o armazenamento for inadequado, o material pode comprometer toda a produção”, alertou Conceição.

Uma das orientações repassadas às participantes é filtrar o óleo antes do armazenamento. Quando isso não acontece, o próprio Departamento de Química da UFRR realiza processos de limpeza para reaproveitamento.

O professor Francisco Panero reforça que o cuidado com os materiais é essencial, principalmente no manuseio da soda cáustica, também conhecida como hidróxido de sódio.

“A soda pode ser encontrada facilmente em supermercados, mas é fundamental seguir as normas de segurança, usando máscaras e luvas”, destacou.

O sabão produzido durante as oficinas pode ser utilizado em diferentes atividades domésticas, como limpeza de banheiro, chão, toalhas e panos.

Além disso, pesquisas desenvolvidas pelo Departamento de Química da UFRR também avaliam a eficiência do produto produzido a partir do óleo reutilizado.

“A gente faz testes em laboratório para verificar a qualidade e a eficiência do sabão produzido”, explicou Francisco.

Um amor que ultrapassa barreiras

Se no início o diagnóstico pode trazer medo, insegurança e incertezas, com o tempo muitas mães descobrem novas formas de compreender os filhos e enxergar capacidades que vão além da deficiência.

Entre desafios, aprendizados e adaptações diárias, elas seguem tentando construir uma rotina mais leve para si mesmas e para os filhos.

Milene deixa uma mensagem para outras mães atípicas.

“O que eu quero dizer para elas é que não desistam. Muitas mães estão cansadas e exaustas, mas é preciso ter paciência e buscar compreender cada criança. Eles crescem, têm suas particularidades, fazem movimentos repetitivos, enxergam o mundo de outra forma, mas são nossos. E o mundo precisa de amor e das muitas cores que os autistas têm”, afirmou.

Verdiana também reforça a importância do apoio e da solidariedade.

“Ser mãe atípica não é fácil. Nossa vida é muito difícil. E as pessoas também podem ajudar comprando nosso sabão, apoiando financeiramente e incentivando essas mães”, disse.

No meio da rotina intensa, das terapias, das incertezas e da sobrecarga emocional, mães atípicas seguem encontrando maneiras de resistir. Seja no cuidado diário com os filhos, na busca por independência financeira ou no acolhimento entre mulheres que compartilham experiências semelhantes, elas transformam desafios em força.

Na produção de um sabão feito com óleo reutilizado, existe mais do que geração de renda ou consciência ambiental. Existe troca, escuta, aprendizado e afeto. Para muitas dessas mulheres, a oficina representa também a oportunidade de voltar a olhar para si mesmas, sem deixar de lado o amor que dedicam diariamente aos filhos.

Entre garrafas PET, óleo reutilizado e baldes de sabão, mães atípicas encontram também uma forma de reconstruir autonomia, pertencimento e esperança.

Ouça a reportagem completa:

FONTE/CRÉDITOS: Lauany Gonçalves
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