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Feiras da Agricultura Familiar e Indígena passam a funcionar juntas no Parque Anauá

Mudança temporária reúne produtores indígenas e pequenos produtores rurais em um só local durante reforma da Seadi

Feiras da Agricultura Familiar e Indígena passam a funcionar juntas no Parque Anauá
 Neto Figueredo
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As feiras da Agricultura Familiar e da Agricultura Familiar Indígena passaram a funcionar no mesmo espaço, no Centro de Artesanato Indígena Ko’Go Damiana, no Parque Anauá. A mudança temporária ocorre durante a reforma do prédio da Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação) e mantém a comercialização dos produtos regionais.

Realizada às sextas-feiras, das 7h30 às 13h30, a Feira da Agricultura Familiar Indígena reúne produtos cultivados por comunidades indígenas, além de artesanato e itens da culinária tradicional. Entre os produtos comercializados estão farinha, feijão-verde, frutas, doces, leite, café, além de peças artesanais produzidas com sementes, fibras de buriti, barro e outras matérias-primas.

A diretora do Centro de Artesanato e coordenadora da feira indígena, Adriana Bezerra, pontuou que a iniciativa é resultado do trabalho desenvolvido pelo Governo de Roraima para incentivar a produção agrícola e artesanal nas comunidades indígenas. Além de criar um canal direto de comercialização entre quem produz e quem consome.

“A feira é uma oportunidade para esses artesãos e produtores comercializarem o que produzem e, ao mesmo tempo, para a população conhecer a produção dos povos indígenas de Roraima. Temos uma variedade de produtos que vêm diretamente das comunidades, com preços acessíveis”, explicou.

Segundo Adriana, atualmente 13 comunidades indígenas participam regularmente da feira, representando diferentes povos, como Macuxi, Taurepang, Wai Wai e Warao. A programação agora também conta com a participação de produtores da agricultura familiar, que somam oito estandes ao espaço.

Além dos produtos agrícolas e do artesanato, os visitantes podem encontrar pratos da culinária tradicional, como damurida, galinha caipira, feijoada e paçoca preparada no pilão, além de bebidas indígenas, como o caxiri.

A coordenadora comemorou ainda o impacto econômico da iniciativa. “Temos um movimento semanal de, no mínimo, R$ 10 mil circulando aqui. A feira tem contribuído muito para a economia do Estado, principalmente para os produtores dessas comunidades”, afirmou.

Produção que gera renda

Um dos participantes da feira é o agricultor indígena Francisco Alves, da comunidade Sorocaima 1, região de Pacaraima. Há cerca de dois anos, ele comercializa farinha produzida na própria comunidade e conta que a participação no espaço possibilitou a formação de uma clientela.

“Hoje já consigo vender os três sacos de farinha que trago para a feira. Fui ganhando meus clientes e, graças a Deus, está dando tudo certo. Quero trazer cada vez mais produtos, mas o transporte ainda é uma dificuldade que vamos superar”, relatou.

A produtora Sharon Barbosa da Silva também encontrou na feira uma oportunidade de fortalecer sua fonte de renda. Moradora de Boa Vista e com origem na região da Raposa Serra do Sol, ela comercializa pratos típicos e regionais, como damurida, galinha caipira, panelada e paçoca.

“Trabalho desde pequena e essa é a minha renda. Hoje meu trabalho está sendo reconhecido e continuo fazendo aquilo que aprendi e gosto de fazer”, afirmou.

Agricultura familiar

A Feira da Agricultura Familiar da Seadi também passou a funcionar temporariamente no Centro de Artesanato Indígena Ko’Go Damiana, em razão das obras de reforma na sede da secretaria.

A engenheira agrônoma da Seadi e coordenadora da feira, Ivaniria Faquinella, explicou que a transferência temporária busca garantir a continuidade da comercialização para os produtores que dependem da atividade.

“Essa feira não poderia parar porque são produtores que têm somente essa renda. Agradecemos a receptividade da Secretaria dos Povos Indígenas e convidamos a população a conhecer e prestigiar os produtores”, afirmou.

Entre os expositores está Jair da Conceição Sobrinho, que participa da feira desde 2019 e cultiva produtos como macaxeira, melancia, banana, feijão e batata em uma propriedade na região rural de Boa Vista. Para ele, a feira surgiu como uma alternativa para comercializar o excedente da produção e complementar a renda da família.

“Quando surgiu a feira, encontramos uma oportunidade para aproveitar essa produção e ter uma renda extra para continuar na agricultura familiar. Somos produtores familiares e trabalhamos com produtos sem agrotóxicos, buscando levar qualidade à mesa do roraimense”, explicou.

FONTE/CRÉDITOS: Por Ana Carolini Gama
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