A Feira da Agricultura Familiar Indígena, promovida pelo Governo de Roraima, fortalece a comercialização de produtos das comunidades indígenas e amplia as oportunidades de geração de renda para agricultores e artesãos. Realizada todas às sextas-feiras, a iniciativa coordenada pela Sepi (Secretaria dos Povos Indígenas) reúne representantes de 22 comunidades e movimenta entre R$ 8 mil e R$ 10 mil por edição.
A feira funciona das 7h30 às 13h30, em frente à sede da Sepi, no Parque Anauá, e oferece produtos cultivados e preparados nas próprias comunidades indígenas, além de artesanato e itens da culinária tradicional. A proposta é aproximar produtores e consumidores, garantindo a venda direta e valorizando a produção indígena.
Entre as comunidades participantes estão Morcegos, Truaru e Truaru da Cabeceira, próximas a Boa Vista. A feira também recebe artesãos indígenas que vivem na área urbana da capital.
Produção comunitária
A farinha comercializada pelo produtor Francisco Alves é produzida na comunidade indígena Sorocaima I, em Pacaraima. O trabalho é realizado de forma coletiva por um grupo de agricultores, que divide as etapas de plantio, colheita e beneficiamento da mandioca.
“Eu trabalho com sete ou oito pais de família numa roça em conjunto. Nós fazemos todo o processo: arrancar a mandioca, torrar e eu fico responsável pelo transporte. Depois, dividimos o recurso obtido entre todos”, relatou.
A feira reúne vegetais, diferentes tipos de farinha, peças de artesanato, pinturas tradicionais e alimentos da culinária regional. Para a chefe da Divisão de Apoio ao Etnodesenvolvimento da Sepi, Adriana Bezerra, a comercialização sem intermediários beneficia tanto quem produz quanto quem compra.
“São produtos orgânicos e livres de agrotóxicos. O nosso diferencial é a venda direta do produtor, sem a presença de atravessadores, o que garante um preço melhor para o consumidor”, explicou.
Vitrine Emanon amplia comercialização
Além da feira semanal, produtores e artesãos indígenas contam com a Vitrine Emanon, espaço mantido pela Sepi para exposição e comercialização dos produtos ao longo da semana. O nome significa “Loja Bonita” em Macuxi.
O espaço funciona de segunda a sexta-feira, nos períodos da manhã e da tarde, até as 18h. A Secretaria intermedia as vendas e repassa integralmente aos cadastrados os valores correspondentes aos produtos comercializados.
Para participar, o produtor ou artesão precisa realizar cadastro junto à Sepi e informar os itens que pretende disponibilizar. Não há cobrança de taxa, e os próprios produtores definem os preços.
A Vitrine Emanon reúne peças de cestaria, redes, cerâmicas e artefatos de diferentes etnias, além de produtos agrícolas e alimentícios, como o café produzido na comunidade Kauwê, jujuba de cupuaçu e itens relacionados à medicina tradicional indígena.
Crédito para fortalecer a produção
O apoio à atividade produtiva também inclui linhas de crédito rural disponibilizadas pela Desenvolve Roraima. As modalidades de custeio e investimento atendem pequenos produtores indígenas que buscam ampliar a produção, modernizar as atividades e melhorar a estrutura das propriedades.
Os recursos podem ser destinados à compra de máquinas, equipamentos e insumos, além de melhorias na infraestrutura e adoção de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade.
Os interessados podem buscar atendimento presencial na Desenvolve Roraima para receber orientações sobre as linhas disponíveis, critérios e documentação necessária. A agência está localizada na avenida Major Williams, 1335, Centro.
Comentários: