No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer, são estimados mais de 10 mil novos casos de leucemia por ano entre homens e mulheres. A doença está entre os tipos de câncer mais comum na infância, mas também atinge adultos e idosos. Em entrevista à Rádio Monte Roraima FM, o médico e cirurgião oncológico Dr. Leonardo Pires explica que a leucemia é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos, células responsáveis pela defesa do organismo.
"A leucemia é um tipo muito especial de câncer. É um câncer não sólido, é um câncer que ele é associado a produção anormal dos glóbulos brancos e dos leucócitos pela medula óssea. Pode ter proliferação das formas mais maduras ou das formas imaturas, o que vai diferenciar as leucemias agudas das leucemias crônicas. Nos pacientes com leucemia, o que se observa? É que a medula óssea produz os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos, as plaquetas. São células que têm uma função suas funções e ao invés de produzir as células saudáveis, a medula óssea começa a produzir essas células cancerígenas, que não tem função", explicou.
Segundo ele, é fundamental que a população conheça os principais tipos da doença. Sobre os sinais de alerta, o médico reforçou que muitos sintomas podem ser confundidos com outras doenças comuns.
"Inicialmente, os sintomas são são muito inespecíficos. As pessoas com leucemia começam a queixar de cansaço, de fraqueza, pode surgir anemia. As pessoas com leucemia, elas são muito propensas a infecções oportunísticas e uma coisa muito característica é que as pessoas com leucemia às vezes pode apresentar sangramento pela gengiva, porque como começa até faltar a plaqueta para fazer coagulação, as pessoas começam a ser mais propensas a sangramentos espontâneos, coisa que não acontece normalmente"
Ao ser questionado sobre fatores riscos de risco, o Dr. Leonardo pontuou que, embora muitas vezes a leucemia surja sem causa definida, alguns fatores estão associados ao aumento do risco.
"As pessoas nascem com a propensão a desenvolver durante uma fase da vida esse tipo de tumor. O que exige atenção com relação a perceber as alterações do corpo e procurar o mais precocemente possível avaliação médica especializada. Ela não é uma doença normalmente hereditária, é uma doença é uma doença genética. Porque tá associada a alterações celulares, no DNA", explicou o especialista.
Durante o Fevereiro Laranja, a doação de medula óssea ganha destaque como gesto de solidariedade que pode salvar vidas.
"Alertar as pessoas da importância da doação de medula óssea, é um dos pilares terapêutica das leucemias. É importantíssimo a gente bater nessa tecla, porque as pessoas que precisam de tratamento, ela precisa de um doador compatível. E é uma coisa muito difícil de encontrar uma pessoa que seja geneticamente compatível com você. Então, se dá a importância de você ter uma gama muito grande de doadores. Então, se você tiver muitas ofertas de doador, a chance de encontrar esse doador compatível é muito mais fácil. Então, por isso que a gente alerta o máximo possível para a sociedade, para que mais pessoas venham a doar, para que mais pessoas consigam acesso a essa modalidade de tratamento que é tão importante para quem tá tratando de leucemia", alertou o médico.
No Brasil, o cadastro de doadores é feito por meio do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea, vinculado ao Instituto Nacional do Câncer. Em Roraima, o cadastro para doação de medula óssea em Roraima pode ser feito no Hemoraima (Centro deHemoterapia e Hematologia de Roraima), que é a unidade responsável pelo registro de doadores no estado e parte da rede do REDOME (Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea).
- Ter entre 18 e 35 anos de idade.
- Estar em boas condições de saúde.
- Apresentar um documento oficial com foto (físico) e, se possível, o Cartão SUS.
- No local, você preencherá um formulário e será coletada uma pequena amostra de 5 ml de sangue para o teste de compatibilidade (HLA), sem a necessidade de procedimentos invasivos no momento do cadastro.
E mais do que que uma campanha de cor. O Fevereiro Laranja é um chamado à informação e à solidariedade. Conhecer os sinais de leucemia, buscar diagnóstico precoce e considerar doação de medula óssea são atitudes que podem transformar estatística em história de superação.
Comentários: