A Igreja do Vicariato de Caroni celebrou nesta última quarta-feira (4) um marco importante em sua presença missionária na Amazônia. O Vicariato Apostólico de Caroní completou 104 anos de fundação, reafirmando sua missão evangelizadora junto às comunidades indígenas e às populações que vivem dentro do seu território do Vicariato. Este abrange 80.000 km² e estende sua jurisdição aos fiéis católicos de rito latino residentes em parte do Estado de Bolívar, incluindo o município de Gran Sabana. A sede do Vicariato Apostólico está localizada na cidade de Santa Elena de Uairén, onde se encontra a Catedral de Santa Elena. Atualmente, o Vicariato é composto por seis paróquias.
A celebração contou com a presença do Núncio Apostólico na Venezuela, Dom Alberto Ortega Martín, representante do Papa no país. Durante a sua visita, ele enfatizou que uma das principais missões do Núncio é transmitir a proximidade e a bênção do Santo Padre, além de visitar as dioceses e vicariatos para para obter conhecimento em primeira mão da realidade pastoral da Igreja.
Segundo Dom Alberto, sua visita ao vicariato foi também uma oportunidade para apoiar o trabalho missionário realizado na região e compreender os desafios enfrentados pelas comunidades, como as vastas distâncias, a dificuldade de acesso a algumas comunidades e a necessidade de mais vocações sacerdotais para servir um território tão extenso.
“Estou muito contente de ter vindo ao Vicariato Apostólico do Caroní, que hoje celebra 104 anos desde a sua fundação. É uma alegria poder visitar este vicariato. Além disso, acontece a ordenação de um diácono indígena do povo Pemón, o que é um fruto da vitalidade desta Igreja missionária”, afirmou Dom Alberto.
A visita incluiu uma parada no Município de Pacaraima, região de fronteiriça onde a Igreja presta apoio e assistência a migrantes, especialmente venezuelanos que chegam ao Brasil em busca de melhores condições de vida.
Atualmente, o vicariato realiza sua missão com o apoio de padres, missionários e agentes pastorais que trabalham nas comunidades indígenas da região, principalmente entre o povo Pemón. Para o bispo Alberto, a presença de vocações indígenas é um sinal de esperança para a Igreja local.
“Já existem vários sacerdotes do povo Pemón e hoje será ordenado um novo diácono que, se Deus quiser, em breve também será sacerdote. É um grande sinal de esperança para este vicariato, onde se vive aquilo que o Papa Francisco chamava de sinodalidade: caminhar juntos e ser uma Igreja em saída, que leva a Boa-Nova a todos”, enfatizou.
História missionária
A presença missionária na região tem raízes que remontam ao início do século XX. Desde 1922, os frades capuchinhos trabalham no cuidado pastoral das comunidades dispersa desde a Gran Sabana até o Delta Amacuro. O Vicariato foi governado durante muito tempo pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Devido à escassez de missionários da mesma ordem, estes renunciaram ao seu Ius Commissionis, o que levou o Dicastério Missionário a conferir o Ius Commissionis à Diocese de San Cristóbal da Venezuela em 20 de julho de 2021, com todos os direitos e obrigações inerentes a este ofício.
Segundo o Bispo Gonzalo, que acompanha a missão no vicariato, o trabalho da Igreja continua focado principalmente ao atendimento às comunidades indígenas e ao fortalecimento da presença pastoral nas áreas mais remotas
“Estamos trabalhando na atenção pastoral aos nossos irmãos venezuelanos que vivem nesta região, sobretudo os que pertencem à etnia indígena Pemón. Trata-se de um território muito amplo, onde diversas comunidades estão presentes, e a missão da Igreja é acompanhar e servir a todas elas”, explicou.
Ele também enfatizou a importância da cooperação entre as igrejas de diferentes países, especialmente na região de fronteira.
“Compartilhamos a experiência de uma Igreja sem fronteiras. Com Dom Evaristo já tivemos vários encontros e seguimos essa mesma linha de trabalho: uma Igreja que se une, que participa e que fortalece os laços de proximidade em meio às necessidades do nosso povo", comentou Dom Gonzalo.
Nova Vocação Indígena
Outro momento significativo das celebrações foi a ordenação diaconal do seminarista Santo Aquiles Pérez, de 27 anos, indígena do grupo étnico Pemón. O diácono ressaltou o desejo de servir às comunidades e incentivar novas vocações.
“O meu projeto é visitar as comunidades, levar o Evangelho e formar as pessoas para que também sejam missionárias. Convido especialmente os jovens, indígenas e não indígenas, a não terem medo de servir à Igreja. Precisamos de mais operários para a missão do Senhor”, concluiu.
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