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Oficina de pintura promove acolhimento e bem-estar para mães atendidas pelo Teamarr

Atividade em alusão ao Dia Internacional da Mulher utilizou a arte como ferramenta terapêutica para fortalecer vínculos e oferecer apoio emocional às

Oficina de pintura promove acolhimento e bem-estar para mães atendidas pelo Teamarr
SupCom ALERR –Eduardo Andrade
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Um momento de cuidado, autoconhecimento e troca de experiências. Essa foi a proposta da programação do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), realizada na tarde da última segunda-feira (9), em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. As participantes puderam ter um momento descontraído e de relaxamento por meio da arte em uma oficina de pintura, ministrada pela artista plástica Elizangela Borges.

A equipe de psicologia do Centro identificou a necessidade de oferecer um espaço de acolhimento também para as mulheres que acompanham as crianças atendidas no local. Segundo a psicóloga Daniele de Oliveira, a maioria do público que frequenta o Teamarr é formada por mães, avós e outras cuidadoras, que muitas vezes enfrentam uma rotina intensa de cuidados e responsabilidades.

“Essa ideia surgiu dos atendimentos individuais que eu realizo com as mães, com as famílias daqui do Teamarr. As mulheres, elas são a maioria aqui do nosso público, são as mães que estão aqui. As mães, as avós, as cuidadoras, as tias”, disse.

Além de promover um momento de relaxamento e expressão artística, a proposta também busca fortalecer vínculos entre as participantes e estimular a criação de redes de apoio. Para a equipe do centro, o cuidado com quem está na linha de frente do acompanhamento das crianças é essencial para o bem-estar de toda a família. A psicóloga destaca que muitas mulheres enfrentam o processo de descoberta do autismo praticamente sozinhas e, por isso, precisam de espaços onde possam compartilhar experiências, trocar informações e encontrar suporte emocional.

“Faz total diferença a gente acolher essa mãe ou essa cuidadora primordial. Porque se a mãe adoece, é porque o ambiente falhou em dar suporte para essa mãe. Então, quando a gente oferece essa terapia de grupo para as mães, é mais um suporte, mais um apoio”, destacou.

Mãe de duas crianças atípicas, uma delas diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Sueli Rocha conhece de perto os desafios da rotina de cuidados. Os três são atendidos pelo Teamarr e, nesta segunda-feira, ela organizou o dia para conseguir participar da oficina e dedicar um tempo para si.


Segundo Sueli, a rotina de uma família atípica é intensa e, muitas vezes, não sobra espaço para pausas. Para ela, momentos como o proporcionado pela oficina ajudam a aliviar o cansaço mental e a encontrar um pouco de tranquilidade em meio às responsabilidades do dia a dia.
“Isso aqui me concentra e eu consigo ficar vendo. Eu não estou ouvindo ninguém aqui. Eu estou focada, sem ouvir, nem ver nada. E acaba que é um desligamento, um momento de paz que a gente procura, um sossego. Muito bom. Vale a pena.”, afirmou.

Responsável por conduzir a atividade, a artista plástica Elizângela Borges explicou que a proposta da oficina é utilizar a arte como ferramenta terapêutica. Segundo ela, a prática permite que sentimentos e emoções muitas vezes guardados encontrem uma forma de expressão.


A artista destaca que esse processo já é utilizado em atividades com crianças e que, na oficina com as mães, a ideia é proporcionar o mesmo espaço de acolhimento e expressão, especialmente para mulheres que lidam diariamente com os desafios de cuidar de filhos atípicos.


“A arte e terapia vêm justamente para mostrar que, através da arte, é possível expressar sentimentos que muitas vezes ficam reprimidos. Com as mães, o objetivo é esse também, que elas possam colocar para fora o que carregam dentro de si”, ressaltou. 


Além do aspecto terapêutico, a oficina também busca despertar novas possibilidades para as participantes. De acordo com Elizângela Borges, a arte pode se tornar não apenas um momento de bem-estar, mas também uma alternativa de geração de renda, especialmente para mulheres que muitas vezes não conseguem trabalhar fora de casa por causa da rotina de cuidados com os filhos.


A artista afirma que a intenção é mostrar às participantes que elas têm potencial para desenvolver novas habilidades e, se desejarem, transformar a produção artística em uma atividade complementar.


“Eu quero mostrar para elas que, através da arte, elas são capazes de produzir e até conseguir uma renda. Muitas mães não conseguem trabalhar fora porque não têm com quem deixar os filhos. A arte pode ser uma forma de libertar os sentimentos e também ajudar a ganhar um dinheirinho para sustentar a família”, frisou.

Dona de casa e avó atípica, Jaina de Oliveira também participou da oficina e aproveitou o momento para descobrir uma nova habilidade. A neta dela, Eloá, é acompanhada pelo Teamarr há cerca de um ano, período em que a família passou a contar com orientação e suporte no cuidado e no desenvolvimento da criança.


Para Jaina, além do lazer, o encontro também representa uma oportunidade de troca de experiências entre as famílias que vivem realidades semelhantes e compartilham desafios no cuidado com crianças atípicas.


“Esse momento está sendo incrível porque eu estou descobrindo que eu gosto da pintura. Não é só o lazer, isso daqui também é uma autoajuda. E é muito importante ter momentos como esse para a gente trocar experiências e falar sobre o suporte que a gente precisa”, ressaltou.

Cuidando de quem cuida 

O trabalho desenvolvido pelo centro busca atender não apenas crianças e adolescentes, mas também oferecer suporte às famílias que acompanham de perto o processo de desenvolvimento dos atendidos.


A diretora administrativa do Teamarr, Caroline Martins, explica que o acolhimento às mães e cuidadoras faz parte da proposta da instituição, que utiliza diferentes estratégias para garantir apoio emocional e fortalecer a dinâmica familiar. Entre essas ações estão atendimentos psicológicos e atividades como a oficina realizada em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.


“O lema do nosso projeto é cuidar de quem cuida. Então, nós não poderíamos atender somente as crianças e adolescentes e deixar de atender a família. As mães têm uma sobrecarga muito grande e precisam desse apoio”, reforçou.

A expectativa do centro é que, com a expansão e o novo prédio, o acolhimento às famílias seja estendido. 

“Hoje, a psicóloga Daniela atende cerca de 50 mães aqui no Teamarr, e a gente precisa expandir esse atendimento. Essa é uma estratégia que também vai acontecer aqui neste prédio e no novo prédio do Teamarr”, finalizou. 

Sobre o Teamarr

O Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), criado em 2022 por meio da Resolução nº 002/2023, integra o Programa de Atendimento Comunitário da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR). A iniciativa acompanha, instrui e sensibiliza os cidadãos sobre seus direitos sociais, promovendo cidadania e inclusão.


Entre as áreas especializadas disponíveis estão psicologia, neuropsicologia, nutrição, psicopedagogia, pedagogia, educação física e fisioterapia, além de atividades coletivas como terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), Grupo de Habilidades Sociais e Emocionais e o Projeto Turistea. O espaço oferece acolhimento, terapias e orientações a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como capacitação a familiares e profissionais da saúde.


O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, na avenida Santos Dumont, nº 1193, bairro São Francisco, em Boa Vista.
Contato: (95) 99129-7119
Call Center: 0800 006 0670

FONTE/CRÉDITOS: SupCom ALERR – Monica Gizele
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