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Rio Branco recua e acende alerta para efeitos da estiagem em Roraima

Queda de cerca de 40 centímetros no nível do principal rio do estado chama atenção de especialistas.

Rio Branco recua e acende alerta para efeitos da estiagem em Roraima
Ewerthon Souza
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A redução no nível do Rio Branco em Boa Vista voltou a acender um alerta para os efeitos da estiagem em Roraima. Nas últimas semanas, o principal rio do estado registrou queda de cerca de 40 centímetros, reflexo da diminuição das chuvas e da intensificação do período seco na região.

O comportamento dos rios nessa época do ano faz parte do chamado “verão amazônico”, período em que a precipitação diminui e os níveis dos rios tendem a baixar. Ainda assim, reduções rápidas no volume de água chamam a atenção de especialistas e reforçam a necessidade de monitoramento constante.

Segundo o geólogo Fábio Wankler, o recuo do rio está diretamente ligado ao padrão climático típico do início do ano em Roraima.

“O que estamos observando agora é uma redução natural associada ao período de estiagem. Nessa época do ano as chuvas diminuem bastante e, como consequência, os rios passam a perder volume gradualmente”, afirmou o geólogo.

Mesmo sendo um fenômeno esperado dentro do ciclo hidrológico da região, o nível dos rios tem impacto direto na vida da população. O Rio Branco é o principal curso d’água do estado e exerce papel fundamental no abastecimento de água, na pesca, na navegação e em diversas atividades econômicas.

Quando o nível baixa de forma mais acentuada, surgem bancos de areia nas margens, embarcações enfrentam dificuldades em alguns trechos e comunidades que dependem do rio para transporte e pesca podem ser afetadas.

Além disso, a estiagem prolongada costuma aumentar o risco de queimadas e contribuir para a redução da umidade do ar, fenômenos comuns durante o período seco em Roraima.

De acordo com o especialista, embora a vazante faça parte do comportamento natural dos rios amazônicos, é importante acompanhar o ritmo dessa redução.

“Quando o nível dos rios baixa rapidamente, isso pode trazer impactos para o abastecimento, para a qualidade da água e também para os ecossistemas aquáticos. Por isso o monitoramento é fundamental para entender se estamos diante de um ciclo normal ou de uma estiagem mais intensa.”

Histórico de estiagens no estado

O cenário atual ainda está distante de episódios mais severos registrados nos últimos anos, mas reforça uma preocupação que já marcou diferentes períodos recentes em Roraima.

Em 2024, por exemplo, o nível do Rio Branco chegou a registrar –36 centímetros, configurando uma das piores secas da série histórica monitorada na capital.

Já entre 2015 e 2016, durante um episódio forte do fenômeno El Niño, o rio atingiu cerca de 56 centímetros, considerado um dos níveis mais críticos já registrados.

Esses episódios mostram que, embora a vazante faça parte do ciclo natural dos rios amazônicos, eventos extremos de seca têm ocorrido com maior frequência, exigindo atenção de pesquisadores e autoridades.

Impactos para a população

Em um estado cortado por rios e igarapés, as mudanças no nível da água afetam diretamente o cotidiano da população.

Além da navegação e da pesca, o Rio Branco também influencia atividades agrícolas, o abastecimento urbano e até o equilíbrio ambiental da região.

Durante os períodos mais secos, a paisagem muda: surgem extensas faixas de areia nas margens, o calor se intensifica e o risco de incêndios florestais aumenta.

Por isso, o acompanhamento do comportamento dos rios se torna essencial para prever cenários e orientar medidas de prevenção ao longo do período de estiagem.

Nos próximos meses, especialistas devem seguir monitorando o nível do Rio Branco, período considerado crítico dentro do ciclo climático da região.

 

FONTE/CRÉDITOS: Luana de Oliveira
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