Roraima concentrava, em agosto deste ano, 21 das 23 Terras Indígenas classificadas em situação de seca grave na Amazônia Legal, segundo levantamento da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).
Os dados fazem parte da nota técnica “Panorama territorial das secas nas Terras Indígenas da Amazônia Legal, 2023–2026”, elaborada a partir do cruzamento de 44 meses de informações do Monitor de Secas com os limites das áreas acompanhadas pela organização.
Em agosto, 303 das 407 Terras Indígenas monitoradas apresentavam algum nível de seca, o equivalente a 74,4% dos territórios analisados. A área atingida corresponde a aproximadamente 96,98 milhões de hectares.
Do total, 120 Terras Indígenas estavam sob seca fraca, 160 apresentavam seca moderada e 23 foram classificadas em seca grave. A categoria mais severa voltou a aparecer depois de seis meses sem registros nas áreas analisadas.
O cenário de Roraima é o que mais chama atenção entre os estados monitorados. Além das 21 Terras Indígenas em seca grave, outras oito estavam em situação moderada e quatro apresentavam seca fraca.
De acordo com o levantamento, a redução dos níveis de rios e igarapés pode comprometer o abastecimento de água, a navegação e o acesso das comunidades a serviços essenciais.
A estiagem também pode aumentar o risco de incêndios florestais e provocar prejuízos às roças, à pesca e à disponibilidade de alimentos tradicionais, ampliando a possibilidade de insegurança alimentar nos territórios.
A coordenadora do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Sineia Wapichana, chamou atenção para a antecipação do período mais seco no estado e para os impactos já enfrentados pelas comunidades.
Diante do cenário, a Coiab lançou um Plano de Adaptação dos Territórios Indígenas da Amazônia frente ao El Niño e Eventos Climáticos Extremos. O documento reúne orientações para preparação, monitoramento e resposta a situações relacionadas à escassez de água, segurança alimentar, saúde comunitária, prevenção de incêndios e proteção territorial.
A própria nota técnica ressalta, no entanto, que os dados disponíveis ainda não permitem afirmar que a seca de 2026 terá a mesma extensão observada em 2024, nem atribuir isoladamente as alterações registradas ao fenômeno El Niño.
O plano também reforça que as medidas desenvolvidas pelas comunidades não substituem a responsabilidade do poder público na garantia de recursos, água, alimentos, medicamentos, transporte, prevenção de incêndios e outras ações de resposta aos eventos climáticos extremos.
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