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Roraima debate estratégias para enfrentar as mudanças climáticas

Primeiro seminário estadual reúne gestores, pesquisadores e instituições para discutir os impactos da estiagem e ações de prevenção.

Roraima debate estratégias para enfrentar as mudanças climáticas
SECOM RORAIMA - Artur Farias
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O Governo de Roraima, por meio da Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), realizou na última segunda-feira, 31, o 1º Seminário de Mudanças Climáticas: Escassez Hídrica e Incêndios Florestais. O evento reuniu gestores públicos, pesquisadores e representantes de instituições para discutir as previsões relacionadas ao fenômeno El Niño e os primeiros sinais da estiagem no estado.

Realizado no auditório da Seinf (Secretaria de Infraestrutura), o seminário teve seis painéis temáticos ao longo do dia. Pela manhã, os debates trataram do cenário climático de Roraima, dos planos de emergência para o abastecimento de água e dos impactos da estiagem no setor produtivo.

À tarde, a programação abordou os desafios climáticos para a agricultura, o sistema de gestão de operações do CBMRR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima) e três décadas de prevenção e combate aos incêndios florestais em solo roraimense.

O presidente da Femarh, Wagner Severo, afirmou que o período seco já apresenta efeitos preocupantes, como a redução do nível do Rio Branco e o aumento de focos de calor.

“O objetivo é discutir os problemas que podem ser ocasionados nesse período. Nós, junto com outras instituições que compõem o comitê de queimadas, os órgãos federais, estaduais, municipais e, principalmente, a sociedade civil organizada, podemos coletar informações técnicas e científicas para fazer um planejamento conjunto e minimizar os efeitos desse período da estiagem”, disse.

Resposta integrada a impactos

Entre as ações apresentadas no seminário estão a Operação Verão Seguro, parcerias com o Governo Federal, o Monitor de Secas e medidas voltadas às propriedades rurais.

O comandante-geral do CBMRR, coronel Anderson Carvalho de Matos, destacou a integração entre as instituições para enfrentar o período de estiagem.

“Estamos sob o efeito do El Niño e entendemos que podemos ter momentos mais críticos com relação ao comportamento climático. O seminário veio justamente para fomentar discussões e trabalhar adequações nos nossos planos de contingência e de prevenção e combate a incêndio”, frisou.

O presidente da Caer (Companhia de Águas e Esgotos de Roraima), James Serrador, ressaltou a necessidade de garantir o abastecimento de água potável à população.

“Observamos que diversas comunidades desassistidas enfrentam graves problemas de abastecimento, incluindo populações indígenas e o setor agrícola. É necessário trazer visibilidade a este tema e aos impactos severos do fenômeno El Niño”, ressaltou.

Impactos na produção rural

A programação da tarde deu ênfase aos efeitos da estiagem sobre a produção de alimentos. Participante do seminário, o diretor da Coopercarne (Cooperativa Agropecuária de Roraima), André Prado, destacou a necessidade do debate.

“Do interior à capital, as mudanças climáticas influenciam no nosso dia a dia na produção de alimentos. O objetivo é procurar soluções que possam minimizar o impacto que a gente vai ter na área rural e aqui na capital”, reiterou.

Gabinete de Crise

Diante dos primeiros efeitos do período seco, o Governo de Roraima deve instituir nos próximos dias um gabinete de crise voltado ao tema, com a participação de 19 órgãos estaduais.

“Esse trabalho é focado justamente em dar uma resposta à população, minimizar os impactos dessa estiagem, para que passemos por esse momento crítico sem tantos problemas”, salientou o comandante-geral do CBMRR.

Entre as medidas previstas e as que já estão em curso estão qualificações para produtores rurais, a prorrogação de contratos de brigadistas e a contratação de novos profissionais, além de visitas a propriedades para orientar produtores sobre o risco de incêndios no período seco.

Monitoramento hidrológico

O monitoramento hidrológico feito em parceria com o SGB (Serviço Geológico do Brasil) aponta vazões reduzidas nos rios de Roraima. A bacia do Rio Branco, principal sistema hidrográfico do Estado, encontra-se em situação crítica.

Entre os fatores está a redução das chuvas registrada em 2026. Em julho, o volume de precipitação correspondeu a 50,6% da média histórica; em agosto, o índice chegou a 13,5% da média histórica, enquanto as vazões monitoradas atingiram 90% da linha inferior de permanência.

FONTE/CRÉDITOS: SECOM RORAIMA - Ayan Ariel e Júlia Rocha
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