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Vocação sacerdotal na Igreja Católica em Roraima: os desafios e os sinais de esperança

A Diocese de Roraima atua em comunidade indígenas, ribeirinhas e periféricas no acompanhamento vocacional

Vocação sacerdotal na Igreja Católica em Roraima: os desafios e os sinais de esperança
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A vocação é um dom que brota do encontro entre o chamado de Deus e a realidade concreta dos povos. Na diocese de Roraima, essa realidade se expressa de maneira singular, em meio as comunidades indígenas, ribeirinhas e periféricas, onde a igreja tem desenvolvido um serviço respeitando as culturas e necessidades locais.

Segundo o vigário geral da diocese, padre Josimar Lobo, a vocação é um chamado. Deus nos chama para o seguimento. E, quando Ele chama, Ele ama e envia. O padre também destaca a urgência em realizar um trabalho que desperte nos jovens o desejo de seguir na vida religiosa ou sacerdotal.

“Percebo que nossas comunidades são todas vocacionais. É necessário um trabalho urgente de despertar, alimentar e cultivar, nas comunidades, o chamado de Deus, que sem cessar continua chamando, nos dias de hoje, homens e mulheres para o seu seguimento e para a missão”, afirmou.

Em 31 de janeiro deste ano, Djavan André da Silva, será ordenado presbítero para o serviço de Deus e da Igreja. Dentro deste contexto, com o “SIM” de Djavan, tantos outros jovens buscam a refletir sobre o seu chamado, padre Josimar ressalta que todas as vezes que um jovem celebra uma vocação, seja a vida consagrada religiosa, sacerdotal, matrimonial ou profissional, desperta também nos outros aquela pequena semente, aquele desejo de refletir sobre a própria vocação.

“Acredito que a ordenação do diácono Djavan, é uma forte promoção vocacional. Mais do que isso, desejamos e rezamos para que seja um grande despertar para tantos jovens que, como ele, pensam, desejam, mas ainda estão inquietos, com medo ou à procura de uma resposta”, ressaltou.

Atuação missionária em terras indígenas e o Djavan André como fruto desta missão

Missionários realizam serviços pastorais em comunidades indígenas, levando a Boa-Nova e a presença da Igreja. Padre James Murimi, missionário da Consolata, atuou por 10 anos na Missão Indígena na região das Serras, trabalhando junto aos povos Macuxi, Wapixana, Taurepang, Ingaricó e Patamona.

O padre destacou que essa pastoral foi encarnada na realidade dos povos indígenas.

“Esse sempre foi o nosso principal foco: permitir que o Evangelho encontre espaço, que Deus arme a sua tenda nesse lugar, aliás, uma tenda que Ele já havia construído há muitos anos.”

Foto: Djavan André em sua ordenação diaconal 

Entre os frutos deste trabalho missionário está a vocação do diácono Djavan André. Sua vocação nasce da ação missionária realizada junto ao seu povo.

“Vimos muitos bons frutos após uma grande luta, uma luta marcada por derramamento de sangue, na qual muitas pessoas tombaram. Mesmo assim, contemplamos a recompensa de Deus: a demarcação do território em 1998, a homologação em 2005 e, posteriormente, o reconhecimento e o registro da terra em 2009, no STF. Depois disso, vimos surgir outros bons frutos dessa evangelização, como a vocação de Djavan e de outras jovens que estão em caminhada para servir à Igreja. A vocação de Djavan nasce em um espaço profundamente sagrado: um povo que vive a sua cultura, que conhece quem é Deus e que possui diversas maneiras de expressar e viver a sua fé”

A presença da Igreja nas comunidades ribeirinhas e a atuação de Djavan

A Igreja Católica em Roraima, além de atuar nas comunidades indígenas, também está presente na Missão do Baixo Rio Branco. Missionários realizam ainda um importante serviço de evangelização no interior de Boa Vista. Entre eles, está o Padre Mattia Bozzolan, missionário Fidei Donum, que exerce sua vocação junto a essas comunidades.

“A Diocese de Roraima é muito grande, de um território muito extenso. Por isso, as vocações são fundamentais para que possamos atender e acompanhar, da melhor forma possível, as comunidades, caminhando junto com o povo que vive no interior. Ali, a nossa presença é essencial.”

Foto: Padre Mattia, missionário Fidei Donum na Missão Baixo Rio Branco 

O diácono Djavan atuou durante um período nas comunidades ribeirinhas, e o padre destaca o serviço realizado por ele.

“Durante a nossa missão ribeirinha, o Djavan esteve comprometido com o Vinícius no acompanhamento dos jovens, nos encontros com eles, nas visitas às escolas que temos ali, e também no acompanhamento da liturgia, especialmente nas santas missas que celebramos com os povos da região. Foi um tempo em que ele entrou em uma realidade nova, não só para ele, mas para todos nós: uma realidade pouco conhecida do Baixo Rio Branco.”

Djavan André e o trabalho pastoral como diácono transitório na periferia de Boa Vista

Djavan André desenvolveu seu serviço como diácono transitório na Área Missionária Santa Rosa de Lima, na periferia de Boa Vista.  Durante este período, atuou nas pastorais dos coroinhas, pastoral da comunicação, pastoral familiar, e demais pastorais, além de auxiliar os padres nas diversas atividades da área.

O padre Alberto Dinello, fidei donum, ressalta sobre a missão realizada pelos missionários nas áreas periféricas da cidade.

“Ao chegar a essas situações e comunidades, é importante saber olhar para aquilo que realmente importa, para o que é essencial para aquela comunidade, para aquelas famílias e para aqueles jovens. Não é possível fazer tudo de qualquer maneira. Por isso, é sempre necessário escolher o que é mais importante. A partir disso, torna-se possível construir relações e, aos poucos, uma caminhada, oferecendo sempre o melhor em cada situação, em cada atividade e em cada encontro.”

Foto: Djavan André em celebração eucarística na Área Missionária Santa Rosa de Lima

Sobre a vivência pastoral do Djavan, o padre destaca que durante todo esse tempo, ele compartilhou a vida com os padres.

“Foram alguns meses importantes, vivendo conosco, partilhando o dia a dia e as atividades, e assumindo também responsabilidades à frente de algumas pastorais. Além disso, esteve sempre disponível e presente no mesmo trabalho, caminhando junto com nossos padres.”

O padre também destacou que percebeu nele uma constante curiosidade para aprender, conhecer melhor, discernir e se comprometer com o trabalho missionário e pastoral.

“Uma disposição para olhar, escutar e caminhar com sentido. Essa curiosidade, sem dúvida, é um bom primeiro passo para iniciar e sustentar uma verdadeira caminhada vocacional”, concluiu.

 

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