A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) emitiram um alerta global sobre o crescimento da taxa de abandono do esquema vacinal infantil, que atingiu a marca de 12%. O índice aponta que mais de uma em cada dez crianças no mundo inicia o calendário de vacinação, mas não retorna aos postos de saúde para receber as doses de reforço que consolidam a imunização.
O levantamento revela que vacinas fundamentais para o desenvolvimento saudável na primeira infância como a Tríplice Viral que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e a vacina contra a paralisia infantil são as que mais sofrem com a evasão. De acordo com os órgãos de saúde, a aplicação de apenas uma dose dessas vacinas não gera a quantidade de anticorpos necessária para proteger o organismo a longo prazo, deixando os menores vulneráveis a doenças graves que poderiam ser facilmente evitadas.
A importância do esquema completo
O esquema vacinal é planejado de forma cronológica para acompanhar o desenvolvimento do sistema imunológico da criança. As primeiras doses apresentam o agente patógeno ao corpo, enquanto as doses de reforço funcionam como um "lembrete" para que as células de defesa fixem a memória imunológica.
A quebra desse ciclo de acompanhamento nos postos de saúde tem sido impulsionada por diversos fatores sociais e estruturais:
- Sensação de segurança ilusória: O controle de doenças históricas faz com que muitas famílias acreditem que os vírus já foram erradicados, diminuindo a urgência de manter a caderneta atualizada;
- Dificuldades logísticas: Barreiras geográficas, incompatibilidade de horários de funcionamento das salas de vacina com a jornada de trabalho dos pais e desabastecimentos pontuais de insumos;
- Desinformação: A circulação de notícias falsas sobre supostos efeitos colaterais das vacinas alimenta o receio de pais e cuidadores.
Estratégias de busca ativa
Para reverter o cenário de abandono, as entidades recomendam que gestores públicos de saúde e redes municipais fortaleçam as estratégias de busca ativa. O monitoramento contínuo das famílias por meio de agentes comunitários de saúde e a integração de dados das cadernetas de vacinação com sistemas escolares e de assistência social são apontados como caminhos eficientes para resgatar as crianças que estão com o calendário em atraso.
A orientação aos pais e responsáveis é conferir regularmente o documento físico de vacinação das crianças e comparecer ao posto de saúde mais próximo para a aplicação das doses em atraso, mesmo que o prazo estipulado na caderneta já tenha passado.
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