O Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), coordenador por Sineia do vale, é o anfitrião da oficina de formação do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), realizada no Centro Regional Lago Caracaranã, região Raposa, T.I Raposa Serra do Sol.
A formação foi planejada para debater e alinhar os planos de enfrentamento às mudanças climáticas, reconhecendo os impactos diretos sobre os territórios indígenas e a importância do protagonismo desses povos na construção de soluções sustentáveis e eficazes. conforme explicou Sineia do Vale, que também é coordenadora do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC).
Participam do encontro povos dos biomas Pantanal, Cerrado, Mata atlântica, Caatinga e Amazônia, que por meio de dinâmicas em grupos compartilham experiências sobre a realidade dos seus territórios frente as mudanças climáticas.
O CIR é a única organização Indígena no Brasil sendo referência nacional e internacional, tendo como principais instrumentos os planos de enfrentamento às mudanças climáticas construídas pelas comunidades indígenas com apoio de parceiros.
O primeiro plano de enfrentamento foi das comunidades da região Serra da Lua, que fica entre os municípios de Cantá e Bonfim, sendo destaque internacional pelo pioneirismo, em seguida se deu a criação dos planos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, que iniciou 2019, e na região Amajari, em 2023.
"Esse momento é muito importante, durante dois dias vamos debater de forma estratégica os planos de enfrentamento, ouvindo, compartilhando experiências, os conhecimentos tradicionais, porque, aqui temos a participação de pessoas de vários biomas do Brasil e cada um vive realidade diferentes, enfatizou Sineia, cientista indígena e co-presindente do Calcus Indígena.
A formação traz também o debate sobre os direitos indígenas, reafirmando a centralidade na garantia da autonomia, da proteção territorial e da valorização dos modos de vida dos povos.
"Quero reforçar que a constituição federal declara e garante os direitos indígenas, mas, atualmente,nossos direitos têm sofrido grandes retrocessos e isso tem impactado os nossos territórios, então para falar de autonomia é preciso falar da demarcação das terras indígenas", disse Fernanda Felix, advogada do CIR.
Maioque Rodrigues,do povo Terena, veio do Mato grosso do Sul, bioma Pantanal e Cerrado, um território que vive grandes desafios, como a expansão do agronegócio nas terras Indígenas, poluição de rios e fontes de águas pelo uso abusivo de agrotóxicos, desmatamento desenfreado que tem ocasionando transtorno ambiental nós territórios, conforme a liderança a meta é levar as práticas que estão sendo desenvolvidas aqui em Roraima pelo CIR, como a gestão do território, sala de situação e os planos de enfrentamento as mudanças climaticas para o seu povo.
“São frentes de lutas diferentes, mas, que tem um mesmo objetivo a defesa dos territórios, dos direitos e por políticas públicas, então toda a experiência compartilhada aqui eu levarei para começar o trabalho lá”, concluí Maioque.
O Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), responsável pela formação, é uma iniciativa do movimento indígena brasileiro, criado para monitorar debates sobre o clima para garantir a participação dos povos tradicionais nas políticas de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+),alinhando ações climáticas à proteção territorial.
Em Roraima, o Comitê de Mudanças Climáticas do CIR é formado pelas lideranças indígenas das doze regiões e representantes dos departamentos da organização.
Andréa Bavaresco, coordenadora executiva e Sara Gaia, coordenadora do programa povos indígenas do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), são as facilitadoras da formação, idealizada com apoio dos parceiros: Conservação Internacional, Fundação Rainforest da Noruega (Rainforest Foundation Norway — RFN). Além, da Coordenação das Organizações da Amazônia Brasileira (COIAB), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil( APIB), Instituto de Pesquisa da Amazônia (IPAM).
A expectativa é construir um plano de trabalho do CIMC para o restante de 2026, construído a várias mãos, promovendo um espaço de planejamento participativo, com definição de prioridades e fortalecimento das ações conjuntas com os biomas Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata atlântica e Amazônia.
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