O São Paulo Futebol Clube viveu uma noite histórica na última sexta-feira (16), quando o Conselho Deliberativo aprovou o processo de impeachment contra o presidente Júlio Casares. Com 188 votos favoráveis, 45 contrários e dois em branco, os conselheiros decidiram pelo afastamento imediato de Casares do cargo, no que representa um dos momentos mais tensos na política interna do clube nos últimos anos.
O pedido de impeachment havia sido protocolado em dezembro de 2025 por um grupo de conselheiros oposicionistas, que alegaram irregularidades administrativas e práticas de gestão consideradas prejudiciais ao Tricolor. O desfecho agora ficará nas mãos da Assembleia Geral de Sócios, que deve ocorrer nos próximos 30 dias para confirmar ou barrar a destituição definitiva de Casares.
Novo capítulo: Harry Massis Júnior assume a presidência
Com o afastamento de Júlio Casares, quem assume interinamente a presidência do São Paulo é o vice-presidente Harry Massis Júnior, empresário de 80 anos e conselheiro vitalício do clube desde 1964.
Em seu primeiro pronunciamento como presidente interino no Estádio do Morumbi, Massis buscou transmitir equilíbrio e foco no clube. Ele afirmou que a queda de Casares representa um marco histórico para o clube.
“Não é um dia simples para o nosso clube. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e principalmente à torcida, que é o maior patrimônio que nós temos. Todos sabem que vivemos um momento difícil… O clube é muito maior do que qualquer dirigente, muito maior do que qualquer crise”, disse o presidente interino em coletiva de imprensa.

Harry Massis Júnior em coletiva de imprensa no estádio MorumBIS. Foto: SPFC.net
O dirigente também pediu paciência e união aos torcedores, destacando seu compromisso com transparência, responsabilidade e com o futebol do clube durante esse período turbulento. Massis permanecerá no cargo até o final do mandato de 2026, caso a Assembleia de Sócios ratifique o afastamento de Casares.
Escândalos, acusações e as defesas de Casares
A crise que culminou no impeachment foi alimentada por uma série de denúncias e investigações que abalaram profundamente a administração de Júlio Casares. Uma das principais acusações envolve um esquema de comercialização irregular de camarotes no Estádio do Morumbi em dias de shows, revelado em áudios e reportagens a partir de dezembro de 2025.
Além disso, relatórios apontam movimentações suspeitas de dinheiro e saques significativos ligados às contas do clube durante os anos em que Casares esteve no comando, indícios que motivaram investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
As acusações também incluem a alegada realização de vendas de jogadores abaixo do valor de mercado e gestão considerada temerária, com possíveis favorecimentos e irregularidades orçamentárias.
Apesar da pressão institucional e das investigações em curso, Casares nega qualquer irregularidade. Em mensagens enviadas a conselheiros antes da votação, ele caracterizou o processo como “pré-julgamento” e defendeu a legalidade de sua gestão, insistindo na sua inocência e afirmando ser alvo de perseguição política dentro do clube.
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