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Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas destaca força demográfica e organização em Roraima

Diversidade étnica, formação de lideranças e articulação política marcam a realidade indígena no estado.

Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas destaca força demográfica e organização em Roraima
Luana de Oliveira
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O Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro, ganha um significado especial em Roraima, estado que concentra uma das maiores populações indígenas proporcionais do Brasil e onde a luta por direitos, território e políticas públicas se expressa de forma permanente, organizada e atual.

De acordo com dados do Conselho Indígena de Roraima (CIR), o estado abriga cerca de 100 mil indígenas, distribuídos em aproximadamente 465 comunidades, localizadas em mais de 35 terras indígenas, que ocupam cerca de 10 milhões de hectares do território roraimense. Povos como Macuxi, Wapichana, Yanomami, Yekuana, Taurepang, Ingarikó, Wai-Wai, Patamona, Sapará, entre outros, compõem a diversidade étnica que marca a identidade social e cultural do estado.

Essa presença expressiva faz com que as pautas indígenas estejam diretamente ligadas à realidade política, social e econômica de Roraima. Nos últimos anos, as assembleias indígenas realizadas em diferentes regiões do estado têm se consolidado como espaços centrais de debate e tomada de decisão. Esses encontros reúnem tuxauas, lideranças comunitárias, professores, mulheres e jovens para discutir temas como saúde indígena, educação escolar diferenciada, proteção territorial, direitos sociais e fortalecimento das organizações de base.

Em 2025, por exemplo, a Assembleia Unificada do Movimento Indígena de Roraima, realizada na região do Cantá, reuniu cerca de mil participantes de diversas etnorregiões. Ao final do encontro, as lideranças apresentaram uma carta pública com reivindicações voltadas à melhoria dos serviços de saúde, ao respeito à autonomia indígena e à efetivação de direitos constitucionais.

Paralelamente às assembleias, o Conselho Indígena de Roraima tem investido na formação política e técnica das comunidades, por meio de oficinas e capacitações voltadas a lideranças, mulheres indígenas e juventudes. As atividades abordam temas como gestão territorial, direitos indígenas, mudanças climáticas, participação política e fortalecimento institucional, ampliando a capacidade de atuação das comunidades nos espaços de diálogo com o poder público.

Esse processo de organização e formação esteve diretamente ligado a uma das principais frentes de mobilização dos últimos anos: a luta contra a tese do marco temporal. Em 2024 e 2025, povos indígenas de Roraima participaram ativamente de manifestações, debates e ações de acompanhamento jurídico sobre o tema, que propõe restringir o direito à terra apenas às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988. A tese foi amplamente contestada por desconsiderar expulsões históricas e violações sofridas pelos povos originários.

Em 2026, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) reforçaram o entendimento de que os direitos territoriais indígenas são originários, ou seja, anteriores à própria Constituição, fortalecendo uma das principais bandeiras defendidas pelo movimento indígena. Apesar disso, lideranças seguem alertando para a necessidade de vigilância constante diante de iniciativas legislativas que buscam retomar a discussão.

No âmbito institucional, Roraima também avançou no reconhecimento da importância dos povos originários. Leis estaduais passaram a integrar o calendário oficial com datas voltadas à valorização das línguas maternas, culturas indígenas e à criação da Semana dos Povos Indígenas, ampliando a visibilidade dessas populações e promovendo ações educativas.

Nesse cenário, o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas se reafirma, em Roraima, como uma data que reflete um movimento vivo e permanente. Mais do que memória, o dia simboliza um presente marcado por organização comunitária, formação de lideranças e mobilização política, em um estado onde os povos indígenas seguem como protagonistas na defesa de seus direitos, territórios e modos de vida.

FONTE/CRÉDITOS: Luana de Oliveira
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