Se você está sentindo sensação de calor, saiba que isso pode piorar nos próximos meses. O motivo é o El Niño, que está se intensificando e pode ser o mais forte desde 1950. É o que aponta a nova atualização do boletim mensal da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. O diretor técnico da Funceme, Francisco Vasconcelos Júnior, explica como estão as condições do El Niño hoje.

"Hoje as condições desse evento de El Niño já estão nas condições fortes. Nós já temos anomalias aí da temperatura da superfície do mar na casa de 1.8. Isso é bem intenso já na categoria forte. A tendência é que esse evento se intensifique um pouco mais ainda até o final do ano. E os impactos no curto prazo estão mais associados à temperatura. Maiores temperaturas. E é natural, normal que a chuva realmente nesse período do ano seja bem escassa, bem baixa. É natural agora que a zona de convergência intertropical vá bem mais ao norte, como estamos agora, e as primeiras precipitações sejam observadas lá para dezembro, janeiro, que é o que a gente entende como pré-estação chuvosa".
Francisco Vasconcelos Júnior, da Direção Técnica da Funceme, analisa o comportamento do evento que pode influenciar na estação chuvosa de 2027.
"Hoje está muito prematuro ainda a gente cravar como seria realmente a característica da estação chuvosa de 2027, mas a preocupação existe devido à intensidade do evento e à história recente de El Niños muito fortes, como a gente já observou em 82/83, 97/98 e também 2015/2016, que foi o último evento de El Niño muito forte. E esse evento tende a chegar na categoria muito forte agora no final do ano, em meados de outubro, novembro, dezembro, chegar nessa, vamos dizer, no pico realmente da intensidade da anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial".
O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à Linha do Equador. Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras, com impactos em várias regiões do planeta. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais. O Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
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