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Estado registra dez municípios em emergência após avanço das chuvas

Equipes atuam em resgates, distribuição de ajuda humanitária e levantamento de danos em áreas afetadas.

Estado registra dez municípios em emergência após avanço das chuvas
Foto: Secom-RR
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Dez dos 15 municípios de Roraima estão com situação de emergência decretada em razão das chuvas intensas que atingem o estado. O Decreto Estadual nº 40.836-E, assinado pelo governador Soldado Sampaio em 08 de junho, declarou emergência nos municípios de Alto Alegre, Amajari, Mucajaí, Normandia, Rorainópolis e São Luiz do Anauá, somando-os aos decretos anteriores de Bonfim, Uiramutã, Caracaraí e Iracema.

O decreto reconhece formalmente os impactos das chuvas acima da média histórica, que resultaram em alagamentos, rompimento de pontes e vicinais, isolamento de comunidades rurais e indígenas e comprometimento do acesso a serviços de saúde e educação.

Todos os dez municípios já tiveram o reconhecimento estadual homologado. Bonfim e Uiramutã contam com reconhecimento federal pela União, e os demais seguem em processo via S2ID (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres). Caroebe ainda tramita a decretação.

A Operação Apoio Imediato completou duas semanas nesta quarta-feira (10) com um cenário de transição: os principais rios do estado entraram em curva de descida, mas o número de pontos críticos segue crescendo à medida que as equipes avançam nos levantamentos de campo. O boletim situacional da Cepdec (Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil) e do CBMRR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima) registra 71 pontos críticos ativos em 12 municípios, com 12 bloqueios totais, nove parciais e 35 famílias desalojadas.

“Temos isolamentos em comunidades indígenas, principalmente nos trechos da BR-401 e da RR-171, e muitas pontes em vicinais destruídas ou inundadas. Nossas equipes estão em todos os municípios fazendo esse levantamento”, informou o porta-voz da operação, tenente-coronel Genival Vasconcelos, diretor de Relações Públicas do CBMRR.

Pacaraima: mil pessoas ilhadas por ponte queimada

A nova frente mais grave foi identificada em Pacaraima onde, no início da semana, uma missão de registro com drones realizada pelo CBMRR confirmou que a ponte do Médio São Marcos, na região do Passarão, queimada desde março, mantém nove comunidades ilhadas e cerca de mil pessoas sem acesso terrestre e sem rota alternativa.

A Seinf (Secretaria de Infraestrutura) foi acionada para a solução estrutural, enquanto as equipes planejam o suprimento emergencial por via aérea e fluvial.

Em Amajari, vistorias realizadas entre segunda e terça-feira identificaram novos pontos críticos: atoleiros extremos nas vicinais do Assentamento Trairão e na Vicinal 7 impedem a entrada de ônibus e comprometem o acesso de mais de cem pessoas. A Nota Informativa nº 5 do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) Leste confirma as comunidades indígenas Leão de Ouro e Santa Inês com status de isoladas.

“Nossas ações hoje são baldeações, distribuição de cestas básicas e filtros de água, resgates e vistorias. Recebemos 200 fardos de água mineral da Caer [Companhia de Águas e Esgotos de Roraima], que já estão em nosso depósito aguardando as demandas dos levantamentos que estamos fazendo em todos os municípios para iniciar a distribuição”, explicou o tenente-coronel Vasconcelos.

Resgates e buscas

Entre as ocorrências da semana, o CBMRR realizou na terça-feira (09) o resgate aéreo de um morador de 56 anos da comunidade indígena Urinduk, em Uiramutã, que sofreu fraturas na perna e na clavícula após capotamento de quadriciclo. A região é de difícil acesso, com estradas alagadas. A aeronave decolou às 7h e entregou o paciente ao hospital de referência em Boa Vista antes das 11h.

Ainda nesta quinta-feira, 11, uma operação delicada mobilizou três mergulhadores do CBMRR na região Yanomami: a busca pelo corpo de uma criança de apenas 4 anos, em ação iniciada por acionamento do Dsei Yanomami. As buscas seguem em andamento.

Balanço humanitário

Desde o início da operação, já foram entregues 1.574 cestas básicas e 195 filtros ecológicos, com 1.524 pessoas transportadas por baldeação e cerca de 8.600 assistidas.

Nesta quinta, 11, a operação recebeu 200 fardos de água mineral da Caer – cada um com seis garrafas de dois litros – que aguardam no depósito a definição das demandas levantadas em campo, com a seguinte previsão de entrega de 242 cestas nas comunidades de Normandia.

A operação também ganhou reforço externo: a ONG ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) se dispôs a fornecer kits de higiene às comunidades atingidas de Normandia, e uma equipe conjunta esteve na região para levantamento técnico.

Rios em baixa e chuva persistente

O rio Branco registrou 7,60 metros em Boa Vista nesta quarta-feira (10), em oscilação descendente, abaixo da máxima histórica do mês (10,28 m).

Em Caracaraí, a cota baixou para 8,96 metros, com tendência de estabilização. O rio Cotingo, em Uiramutã, caiu para 2,67 metros, abaixo da média mensal.

No entanto, a baixa pode ser temporária. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mantinha nesta quarta aviso de grau “perigo”, com previsão de chuvas de 30 a 60 mm/h e ventos de até 100 km/h. O acumulado de 35 dias registrado na estação no bairro Olímpico, em Boa Vista, chegou a 511 milímetros – isso é 47% acima da normal climatológica.

O prognóstico do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) segue indicando chuvas acima da média para junho e julho, os meses mais intensos do inverno amazônico.

“A previsão meteorológica ainda é de chuva acima da média para junho e julho, que são os meses mais intensos do inverno. Por isso a operação segue mobilizada, com monitoramento constante e prontidão para resposta imediata”, afirmou o porta-voz da operação.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Secom Roraima | João Paulo Pires
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