Rádio Monte Roraima FM

(95) 3624-4064

Notícias/Política

EUA taxam o Brasil em 25%: governo Lula escala ministros para rebater acusação de má-fé e planeja resposta

Brasil rejeita nova taxa americana e nega falta de diálogo.

EUA taxam o Brasil em 25%: governo Lula escala ministros para rebater acusação de má-fé e planeja resposta
Roberto Stuckert
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

O governo federal mobilizou sete integrantes do alto escalão para responder oficialmente à nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. A reação em bloco, detalhada em duas entrevistas coletivas realizadas nesta quinta-feira (16), envolveu os ministérios das Relações Exteriores, da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da presidência do Banco Central.

A crise diplomática e comercial se intensificou após o anúncio da taxação, acompanhado por declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O diplomata norte-americano afirmou que o Brasil não teria negociado as questões comerciais de “boa-fé”. O Palácio do Planalto repudiou a medida, classificou as falas de Rubio como inaceitáveis e afirmou que a investigação dos EUA contou com influência política interna, movida por objetivos eleitorais.

O Ministério das Relações Exteriores rebateu as acusações de intransigência, informando que mais de 30 reuniões bilaterais foram realizadas desde março de 2025. O governo brasileiro sustentou que manteve a disposição para o diálogo, mas recusou demandas norte-americanas consideradas prejudiciais ao interesse nacional e ao setor industrial do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não realizou pronunciamento público, limitando-se a endossar o posicionamento do Itamaraty por meio de suas redes sociais.

Impacto econômico bilionário

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que a sobretaxa atingirá 18% do total das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Os cálculos apontam que o impacto direto chegará a 11 bilhões de dólares, o que representa cerca de 26,2% do volume comercializado com o mercado norte-americano.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a decisão final do governo dos EUA, que incluiu 429 novas exceções à lista inicial, afetando insumos como ferro-gusa, hidróxido de alumínio e café instantâneo. De acordo com a entidade, mais de 60% dos bens atingidos são produtos intermediários, essenciais para a própria cadeia produtiva americana.

Especialistas do setor alertam que a tarifa incidirá fortemente sobre produtos de maior valor agregado. A medida não penalizará apenas as empresas exportadoras, mas gerará um efeito cascata que encarecerá toda a cadeia de fornecedores e a produção industrial brasileira voltada para a exportação.

Defesa do Pix

Um dos focos da investigação norte-americana, que motivou a retaliação comercial, foi o sistema de pagamentos Pix. O Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR) acusou o Banco Central do Brasil de agir com conflito de interesses ao regular e operar a ferramenta, exigindo gratuidade para pessoas físicas e supostamente prejudicando serviços financeiros de empresas americanas.

O Banco Central refutou as alegações, argumentando que não há comprovação técnica para as acusações de favorecimento. A autarquia defendeu que a implementação do Pix resultou na redução expressiva do uso de cheques e dinheiro em espécie que diminui os altos custos de transação do mercado e estimulou a expansão de outras modalidades de pagamento, com o mercado de cartões de crédito crescendo significativamente desde a criação do sistema instantâneo.

FONTE/CRÉDITOS: Monyqui Silva
Comentários:

Veja também

Faça seu pedido :)