O Papa Leão deu início ao Tríduo Pascal presidindo à Santa Missa da "Ceia do Senhor", com o rito do Lava-pés, na Basílica de São João de Latrão.
Como disse o Pontífice na homilia, participa-se da solene liturgia não como meros espectadores ou por inércia, mas como convidados para a Ceia em que o pão e o vinho se tornam para nós Sacramento de salvação. O amor de Cristo torna-se gesto e alimento para todos, revelando a justiça de Deus.
Nesta celebração, ao se renovarem os gestos e as palavras do Senhor, faz-se memória da instituição da Eucaristia e da Sagrada Ordem. O vínculo intrínseco entre os dois Sacramentos representa a entrega perfeita de Jesus, Sumo Sacerdote e Eucaristia viva por toda a eternidade.
Jesus purifica a nossa imagem de Deus das idolatrias e blasfêmias
Durante esta Última Ceia, Ele lava os pés aos seus apóstolos - um gesto, explicou o Santo Padre, que sintetiza a revelação de Deus. Ao assumir a condição de servo, o Filho revela a glória do Pai, derrubando os critérios mundanos que mancham a nossa consciência. Como dizia Bento XVI, devemos «aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza, […] porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão». Palavras, comentou Leão XIV, que indicam que somos sempre tentados a procurar um Deus que “nos sirva” e nos faça vencer, que seja prestativo como o dinheiro e o poder. A onipotência de Deus está em nos servir com a sua verdade. Eis então o significado do gesto do lava-pés:
"Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo dá-nos, pelo contrário, um exemplo de dedicação, serviço e amor. Precisamos do seu exemplo para aprender a amar, não porque sejamos incapazes disso, mas precisamente para nos educarmos a nós próprios, e uns aos outros, no amor verdadeiro. Aprender a agir como Jesus, Sinal que Deus imprime na história do mundo, é tarefa para a vida inteira."
Ao lavar a nossa carne, Jesus purifica a nossa alma
O exemplo de Cristo não é dado quando todos estão felizes e o amam, mas na noite em que foi traído, na escuridão da incompreensão e da violência, para que fique bem claro que o Senhor não nos ama porque somos bons e puros: Ele ama-nos e, por isso, nos perdoa e purifica. "Aprendamos de Jesus este serviço recíproco", foi a exortação do Pontífice. O seu exemplo não pode ser imitado por conveniência, de má vontade ou com hipocrisia, mas apenas por amor. Portanto, deixar-nos servir pelo Senhor é condição para servir como Ele serviu.
Diante a uma humanidade de joelhos devido a muitos exemplos de brutalidade, Leão XIV pediu que nos ajoelhemos também nós, como irmãos e irmãs dos oprimidos.
"A Quinta-feira Santa é, portanto, um dia de fervorosa gratidão e de autêntica fraternidade. Que a adoração eucarística desta noite, em todas as paróquias e comunidades, seja um momento para contemplar o gesto de Jesus, ajoelhando-nos como Ele fez e pedindo-Lhe a força para, com o mesmo amor, O imitarmos no serviço", concluiu o Santo Padre.
A Santa Missa prosseguiu com o rito do lava-pés a 12 sacerdotes, sendo 11 deles ordenados pelo próprio Pontífice. Ao final da celebração, não houve bênção final nem o tradicional envio. Em vez disso, o Papa levou o Santíssimo Sacramento até a capela da reposição. Ali, Leão XIV o incensou e, depois de uma breve adoração, a assembleia foi embora em silêncio.
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