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Ministro Wellington Dias visita projetos da Cáritas em Boa Vista e discute continuidade da assistência social

Agenda incluiu passagem pela Igreja Nossa Senhora da Consolata, onde funcionam projetos como Sumaúma, Orinoco, Cozinha Solidária e outros.

Ministro Wellington Dias visita projetos da Cáritas em Boa Vista e discute continuidade da assistência social
Fotos: Kayla Silva - Rádio Monte Roraima
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O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, cumpriu agenda oficial em Boa Vista, nesta quarta-feira (14), com foco no fortalecimento das políticas sociais do Governo Federal em Roraima. Um dos principais compromissos foi a visita à Igreja Nossa Senhora da Consolata, onde funcionam os projetos Sumaúma e Orinoco, além das ações da Cozinha Solidária e Lavanderia Social, iniciativas da Rede Cáritas e da Cáritas Diocesana.

Os projetos são voltados ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente migrantes e refugiados venezuelanos, e se tornaram referência no acolhimento humanitário no estado.

Visita do Ministro Wellington Dias  - Foto: Dennefer Costa - 

 

A visita do ministro ocorre em um momento delicado, marcado pela suspensão gradual de serviços essenciais mantidos pela Cáritas em Roraima, devido à interrupção de financiamentos internacionais.

Almoço simbólico e diálogo com a Igreja

Na Igreja da Consolata, o ministro foi recebido pelo bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Pascoal Spengler, com quem participou de um almoço simbólico preparado pela Cozinha Solidária. O gesto teve como objetivo apresentar, na prática, a dimensão do trabalho realizado diariamente para garantir alimentação digna à população vulnerável.

Segundo Dom Evaristo, o projeto que realiza distruibuições de milhares de refeições por dia, enfrenta o risco iminente de encerramento.

“Esse trabalho tão exitoso, reconhecido inclusive internacionalmente, está ficando sem recursos. O financiamento que garante essas refeições vai apenas até o final do mês de janeiro. A visita do ministro é justamente para possibilitar a continuidade desse projeto tão bonito da Igreja aqui em Roraima”, afirmou o bispo.

Crise de financiamento ameaça continuidade dos projetos

A Cáritas Brasileira informou, no início de janeiro, que os serviços de água, saneamento, higiene (WASH) e de distribuição de refeições em Roraima passam por um processo de suspensão gradual. Até 2025, os projetos eram financiados integralmente com recursos do governo dos Estados Unidos, por meio de organismos internacionais vinculados à ONU.

Com o encerramento ou interrupção desses contratos, a sustentabilidade das ações ficou comprometida.

Atualmente, o projeto de alimentação serve, em média, mais de 700 refeições diárias, com cardápios adaptados para gestantes, lactantes, pessoas com doenças crônicas, pessoas com deficiência e idosos. A previsão é que a distribuição de refeições seja encerrada no dia 30 de janeiro, enquanto os serviços de higiene podem funcionar apenas até o mês de março.

O assessor nacional da Cáritas, Wellthon Leal, destacou a dimensão do atendimento prestado pela instituição desde 2019. “Já servimos cerca de 1,5 milhão de refeições prontas aqui em Boa Vista, para pessoas em situação de rua. Também atendemos com banheiros, chuveiros e lavanderias gratuitas. Hoje, são cerca de 1.500 pessoas por dia em Pacaraima e 600 em Boa Vista”, explicou.

Segundo ele, mais de 200 mil pessoas únicas já foram atendidas pelos projetos. No entanto, o encerramento do financiamento ameaça diretamente a continuidade do serviço. “O projeto de alimentação vai se encerrar no dia 30 de janeiro porque não temos mais recursos nem para manter a folha de pagamento. Estamos apresentando ao Governo Federal e ao Governo do Estado toda a documentação, mostrando o que é necessário para que o projeto continue, porque ele atende não só migrantes, mas também a população local”, completou.

 

Boa Vista entre as cidades com maior população em situação de rua

 

A coordenadora do Projeto Sumaúma, Áurea Cruz, ressaltou a gravidade do cenário social em Boa Vista. “Segundo dados do IBGE, Boa Vista ocupa hoje o sexto lugar entre as cidades com maior população em situação de rua no Brasil, com quase 10 mil pessoas. Por isso, precisamos de políticas públicas efetivas para atender essa população”, afirmou.

Foto Kaylla Silva.

 

Ela destacou ainda a importância da presença do ministro no local. “Essa visita é fundamental para que o ministro veja de perto a nossa realidade. Os projetos Sumaúma e Orinoco estão se encerrando agora em janeiro por falta de recursos, e essa é uma oportunidade de mostrar o quanto essas ações são necessárias para o estado”, disse.

 

Migrantes pedem continuidade dos serviços

Beneficiário do projeto, o migrante venezuelano José Gregório de 68 anos participou da visita e apresentou um abaixo-assinado, pedindo a continuidade da Cozinha Solidária.

“Nós almoçamos aqui de segunda a sexta-feira. Quando soubemos que o projeto ia acabar, ficamos muito nervosos. Se esse projeto acabar, muitas pessoas vão ficar com fome: idosos, pessoas com deficiência, mães de família”, relatou.

Migrante venezuelano, José Gregório de 68 anos. Foto Kaylla Silva.

 

Segundo ele, a qualidade da alimentação oferecida faz a diferença no dia a dia. “É uma comida quente, nutritiva. As pessoas saem daqui felizes. Muitos caminham quilômetros todos os dias para comer aqui”, afirmou.

Governo federal afirma que assumiu ações emergenciais

Durante a agenda, o ministro Wellington Dias afirmou que o governo federal assumiu diretamente a distribuição de alimentos e os serviços de água e saneamento em Roraima, após a saída de financiadores internacionais.

“Aquilo que antes era bancado financeiramente por organismos internacionais agora vai ser bancado pelo Governo Federal. A Cáritas apresentou uma proposta para trabalhar conosco, que está sendo analisada, mas o fornecimento de alimentos e saneamento já está sendo garantido”, declarou.

O ministro reconheceu a importância do trabalho desenvolvido pela Cáritas no estado. “É um trabalho reconhecido mundialmente. A minha visita aqui é para dar as mãos, em nome do presidente Lula, e garantir que esse atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade continue”, afirmou.

Segundo Wellington Dias, três caminhos estão sendo discutidos: A inclusão dos projetos em programas federais já existentes, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); A garantia de recursos para a continuidade dos serviços de higiene e lavanderia; O fortalecimento de políticas de qualificação profissional, emprego e pequenos negócios, para superação da pobreza.  

Agenda ao longo do dia

Além da visita à Igreja da Consolata, a agenda do ministro Wellington Dias em Boa Vista incluiu passagem pelo Posto de Triagem da Operação Acolhida (PTRIG), estrutura central da resposta humanitária ao fluxo migratório na fronteira com a Venezuela, e o lançamento do programa federal Acredita no Primeiro Passo, voltado ao incentivo ao empreendedorismo e à inclusão produtiva.

O vice-governador de Roraima, Edilson Damião, que acompanhou a agenda institucional, destacou a atuação integrada entre os governos federal e estadual para fortalecer políticas sociais e de geração de renda.

“É um crédito inicial que varia de R$ 5 mil a R$ 20 mil, destinado a quem deseja iniciar um pequeno negócio. O Estado vai acompanhar essas ações, que são fundamentais tanto para os migrantes quanto para a população local”, afirmou.

 O ministro Wellington Dias ressaltou que o Brasil, em parceria com o Governo de Roraima e organismos internacionais, como as Nações Unidas, está preparado para responder a eventuais mudanças no cenário migratório.

“O plano de contingência garante uma resposta rápida em caso de aumento brusco no fluxo migratório. Além da proteção básica, trabalhamos para oferecer condições de emprego e apoio a pequenos negócios, permitindo que pessoas inseridas em programas sociais ampliem a renda e superem a pobreza”, destacou.

A passagem do ministro por Roraima reuniu ações emergenciais de assistência humanitária, políticas estruturantes de geração de renda e articulações institucionais, em um momento considerado decisivo para a continuidade de projetos sociais essenciais ao atendimento da população em situação de vulnerabilidade no estado.

FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa - Jornalista Rádio Monte Roraima
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