O Governo de Roraima, por meio da Sepi (Secretaria Estadual dos Povos Indígenas), já alcançou mais de 650 comunidades indígenas em todo o Estado com políticas públicas voltadas ao fortalecimento da autonomia produtiva, geração de renda e valorização cultural. As ações beneficiam diretamente 22,1 mil famílias e impactam indiretamente cerca de 65 mil pessoas.
Os projetos são desenvolvidos com respeito às tradições e às lideranças locais, sempre com a anuência dos tuxauas e alinhados às especificidades de cada etnia. Entre as principais iniciativas estão a mandiocultura, avicultura, piscicultura, apoio logístico com barcos e transporte, além da valorização do artesanato e da agricultura familiar.
“O principal trabalho do Governo de Roraima com os povos indígenas começa com respeito à cultura e aos conhecimentos tradicionais. Todos os projetos são construídos em diálogo com as lideranças, fortalecendo a permanência da cultura dentro dos territórios”, destacou o governador Antonio Denarium.
Mandiocultura fortalece tradição e amplia renda
Base alimentar milenar nas comunidades indígenas, a mandioca é protagonista de um dos principais programas da Sepi. O Projeto de Mandiocultura incentiva o cultivo e o beneficiamento para produção de farinha, tapioca e derivados, promovendo segurança alimentar e geração de renda.
Atualmente, são mais de 90 polos implantados, com 156 hectares plantados em 60 comunidades indígenas. O projeto beneficia diretamente 435 famílias e, indiretamente, 1.305. O investimento inclui insumos agrícolas, combustível e apoio técnico, com recursos do Tesouro Estadual e parceria do Iater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural).
A Comunidade Malacacheta, no município do Cantá, é uma das localidades beneficiadas. A produção vem crescendo e já se integra a outras frentes de desenvolvimento. O tuxaua José Ailton Cruz destaca que a iniciativa tem transformado a realidade local.
“Através desse projeto de mandiocultura nossa comunidade tem essa oportunidade de ter esses polos, para que possamos produzir a nossa mandioca e ter nosso trabalho. Também estamos agora trabalhando com a avicultura e já comercializando. Agradeço ao Governo de Roraima e à Sepi pela parceria que fortalece a nossa agricultura familiar indígena dentro do nosso território. Não só aqui, mas em todo o Estado há essa evolução”, afirmou.
Além do plantio, o Governo já entregou centenas de kits completos de casas de farinha, garantindo estrutura adequada para o beneficiamento da produção.
Avicultura chega a 112 comunidades
O Projeto de Avicultura é outra frente consolidada da Sepi. Já foram distribuídas mais de 36,4 mil aves, além de ração proporcional ao ciclo produtivo e doação de chocadeiras elétricas.
A iniciativa alcançou 112 comunidades indígenas, beneficiando 1.820 famílias diretamente e 5.460 indiretamente. A criação de aves contribui para a produção de ovos e carne, fortalecendo a alimentação e ampliando a renda familiar.
Apoio logístico garante mobilidade e escoamento
Para fortalecer a produção e o cotidiano das comunidades, o Governo também investe em infraestrutura. Cerca de 800 famílias receberam barcos, motores e remos para facilitar o transporte e o escoamento da produção.
A Sepi também disponibiliza caminhão para transporte de insumos e materiais, atendendo aproximadamente 400 solicitações e beneficiando 1.600 famílias diretamente. Em 2025, mais de 1.500 famílias foram atendidas com fornecimento de combustível.
Outro serviço essencial é a Balsa do Passarão, que atende comunidades de Boa Vista, Pacaraima, Normandia e Uiramutã. Diariamente, cerca de 1.920 pessoas utilizam a travessia sobre o rio Uraricoera. Todos os serviços são custeados com recursos próprios do Governo do Estado.
Ponte no Passarão
Outra novidade positiva para a região do Passarão é que o Governo de Roraima recebeu manifestação favorável do Ministério do Meio Ambiente e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas para a liberação da licença prévia ambiental para a construção de uma ponte de concreto de 700 metros sobre o rio Uraricoera, além da pavimentação de 3 quilômetros da RR-319, no trecho entre Boa Vista e Normandia.
Agora a pasta aguarda a conclusão de estudos complementares para dar início ao processo de contratação da empresa responsável pela execução dos trabalhos, que serão realizados por meio de convênio entre o Governo e a Caixa Econômica Federal.
Cultura, artesanato e comercialização
A valorização cultural também integra as políticas públicas. A Vitrine Emanon, instalada na sede da Sepi, comercializa artesanato indígena de segunda a sexta-feira. Parte da produção é adquirida pelo Governo para uso institucional.
Às sextas-feiras, a Feirinha da Agricultura Familiar Indígena amplia as oportunidades de comercialização e geração de renda.
“O olhar de respeito do Governo do Estado é visível quando alcança mulheres, juventude e famílias inteiras. Todos os projetos contam com a anuência das lideranças e respeitam a organização social das comunidades”, reforçou a secretária da Sepi, Síria Mota.
Piscicultura amplia alcance das políticas públicas
O Projeto de Piscicultura 1 foi iniciado recentemente e deverá atender 440 famílias diretamente e 1.320 indiretamente. Na primeira etapa, foram entregues 1.000 alevinos, além de ração para as fases inicial, de crescimento e engorda.
Já o Piscicultura 2 contará com recursos de emenda parlamentar e atenderá 880 famílias diretamente e 2.640 indiretamente.
Novas frentes de investimento
Entre os próximos projetos estão ações voltadas à medicina tradicional, hortas medicinais, kits menstruais para adolescentes, aquisição de motocultivadores, oficinas de artesanato, festival indígena e incentivo à geração de renda feminina, com entrega de máquinas de costura.
Também estão previstas iniciativas para a juventude indígena, com aparelhamento de informática, instrumentos musicais e equipamentos de som.
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