Após seis meses de acompanhamento voltado à inovação e ao fortalecimento da gestão empresarial, 200 micro e pequenas empresas concluíram, nesta terça-feira (23), o primeiro ciclo de 2026 do ALI Produtividade. O encerramento do programa, promovido pelo Sebrae Roraima, reuniu empreendedores de Boa Vista e Rorainópolis para apresentar os resultados alcançados, compartilhar experiências e discutir temas que impactam diretamente os pequenos negócios, como inteligência artificial e mudanças na legislação trabalhista.
Ao longo do ciclo, oito Agentes Locais de Inovação (ALI) acompanharam 175 empresas na capital e outras 25 em Rorainópolis. Durante o semestre, os empreendedores receberam orientação personalizada para identificar gargalos, reduzir custos, implantar soluções inovadoras e fortalecer a gestão dos negócios.
Segundo o gestor do ALI Produtividade, Paulo Tinoco, o programa aproxima os agentes da realidade de cada empresa para desenvolver soluções específicas para cada necessidade.
“O agente acompanha o empresário durante seis meses e aplica uma metodologia de inovação para reduzir custos e aumentar o faturamento por meio da implementação de soluções. Cada empresa tem uma necessidade diferente e trabalhamos exatamente nessas oportunidades de melhoria”, explicou.
Tinoco informou que um novo ciclo será iniciado em julho, com mais de 200 vagas para micro e pequenas empresas. Segundo ele, embora os resultados deste primeiro semestre ainda estejam em consolidação, o histórico do programa em Roraima aponta crescimento médio entre 23% e 24% no faturamento das empresas participantes ao longo do período de acompanhamento.
Empresas enfrentaram desafios em gestão, finanças e marketing
Durante o primeiro ciclo de 2026, os agentes identificaram que os principais desafios enfrentados pelos empreendedores estavam relacionados aos processos internos (16,85%), fluxo de caixa (15,76%), marketing e divulgação (14,13%) e faturamento ou quantidade de clientes (13,59%).
Para enfrentar essas demandas, as soluções mais implementadas envolveram gestão financeira (22,83%), implantação de sistemas de gestão (10,87%), marketing e divulgação (9,24%), melhorias nos processos internos (8,15%) e relacionamento com clientes (6,52%). Ao todo, foram realizadas 784 ações nas empresas participantes, com destaque para gestão (244), marketing e vendas (219), finanças (112), inovação em processos (87) e transformação digital (72).
O diretor técnico do Sebrae Roraima, Doan Rabelo, destacou que o diferencial do programa está na atuação direta dos agentes dentro dos pequenos negócios:
“O agente entra dentro da empresa, faz um diagnóstico das reais necessidades e implementa ações que fortalecem aquele pequeno negócio. Depois desse diagnóstico, o Sebrae consegue direcionar o empreendedor para outras soluções, como o SebraeTec, ampliando o acesso à inovação e tornando as decisões mais assertivas”, afirmou.
A agente local de inovação Khaterine Coimbra explica que muitos empresários chegam ao programa sem saber como superar as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
“Muitos empresários chegavam dizendo que estavam perdidos, com faturamento baixo e gastos elevados. Nosso papel era entender a realidade de cada negócio e apresentar soluções práticas para organizar a gestão, controlar melhor as finanças e atrair mais clientes”, contou.
Empreendedores e novas tendências para os negócios
Depois de 23 anos atuando no setor da beleza, a empresária Márcia Roberta, proprietária da D’Pérola, afirma que percebeu que apenas o conhecimento técnico não era suficiente para garantir o crescimento da empresa.
“Eu entendi que talento não sustenta uma empresa nem traz lucratividade. Eu precisava aprender gestão, estratégia, finanças e liderança. Hoje consigo separar o caixa de cada área da empresa, trabalhar com metas e escolher onde investir. Antes eu apagava incêndios. Agora consigo planejar”, relatou.
Na Ótica Popular do Casal, os empresários Sidmar Guimarães Gomes e Larissa Geisa Dias Magalhães buscaram apoio para melhorar o desempenho da equipe de vendas e o atendimento aos clientes.
“A maior dificuldade era desenvolver nossos vendedores. O programa trouxe treinamentos e novas estratégias que ajudaram bastante a equipe e melhoraram nossos resultados”, disse Sidmar.
Larissa explica que o acompanhamento também contribuiu para fortalecer o marketing e aperfeiçoar a experiência dos clientes.
“A gente precisava melhorar o atendimento e a forma de divulgar nosso trabalho. O acompanhamento acrescentou muito conhecimento para toda a equipe e melhorou bastante o desempenho dos nossos vendedores”, afirmou.
Outra participante foi a empresária Mara Ferreira, proprietária da Oficina da Mara, especializada no atendimento ao público feminino. Ela conta que decidiu empreender ao perceber que muitas mulheres não se sentiam acolhidas nas oficinas mecânicas.
“O Sebrae já fazia parte da minha caminhada, mas o ALI veio para estruturar aquilo que eu precisava desenvolver. Aprendi muito sobre gestão, tecnologia, liderança e organização da empresa. Sempre existe alguma coisa que a gente pode melhorar”, destacou.
Além da apresentação dos resultados do primeiro ciclo de 2026, o encerramento contou com palestras voltadas aos desafios atuais enfrentados pelos pequenos negócios. A contadora Rebeca Fonseca abordou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e as discussões sobre a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Segundo ela, embora a mudança ainda esteja em tramitação, é importante que os empresários comecem a se preparar para possíveis adequações.
Já o especialista em marketing John David apresentou ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao ambiente empresarial. Durante a palestra, ele mostrou como a tecnologia pode ser utilizada para automatizar processos, apoiar a tomada de decisões, organizar a rotina administrativa e aumentar a produtividade dos pequenos negócios.
FONTE/CRÉDITOS: Comunicação Sebrae Roraima
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