Representantes de 11 etnorregiões indígenas estiveram reunidos nesta semana na Comunidade Tabalascada, região da Serra da Lua, para debater a adaptação de um programa federal de fortalecimento econômico voltado para artesãos. O encontro, que segue até quinta-feira (05), é promovido pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR) e pela Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (OMIRR), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O evento contou com a participação do povos das etnias Macuxi, wapichana, Wai Wai e Warao. Na terça, 03, participaram da abertura, os Tuxauas Gerais Amarildo Macuxi e Kelliane Wapichana.
O projeto em discussão é uma versão adaptada do programa federal “Acredita no Primeiro Passo”, agora sendo reformulado como “Acredita Indígena”. A iniciativa, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, busca criar linhas de apoio econômico que respeitem a organização familiar, comunitária e as dinâmicas próprias de circulação de recursos dentro dos territórios indígenas.
“O encontro é muito importante e propício para vermos aqui os artesanatos das artesãs e dos artesãos indígenas do estado, mas também é um momento de fortalecimento das organizações indígenas junto ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que buscam sempre apoiar a cultura e as iniciativas das mulheres e homens dentro dos territórios indígenas.” Destacou Kelliane
Durante os trabalhos, foram preenchidas fichas de cadastro dos artesãos, com informações sobre tipos de peças produzidas, renda, dificuldades e formas de comercialização. Esses dados servirão de base para a construção das ações do projeto.
Valorização do trabalho das mulheres
A assessora do Ministério do Desenvolvimento, Roberta Mellega Cortiz, enfatizou a necessidade de valorizar o artesanato indígena, especialmente o produzido por mulheres.
“Nós estamos para fortalecer as produções das mulheres indígenas, por meio de comercialização das peças que são extremamente lindíssimas, então as artes feitas devem ser muito valorizadas. O que a gente sabe é que muitas vezes vocês acabam vendendo num valor mais baixo e quando vai para os centros maiores, urbanos, eles vendem as peças dez vezes o valor do que vocês venderam aqui. Então, a nossa intenção é tentar fazer com que uma parte maior desses produtos sejam vendidos em um preço alto que possa cobrir o tempo de produção, porque é um artesanato muito bonito.” Disse Roberta.
A vice-coordenadora da OMIRR, Gracinha Wapichana, reforçou que o encontro é uma oportunidade para dar mais visibilidade aos artesãos indígenas dentro e fora do estado.
O CIR ressalta que a construção coletiva das políticas públicas, a partir da escuta direta das comunidades, é fundamental para que os programas atendam de fato às realidades locais, preservando a cultura e a autonomia dos povos indígenas de Roraima.
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