Em Roraima, os casos de feminicídio acendem um alerta. Em 2025, o Estado registrou 50 casos de feminicídios consumados e tentados, um aumento de quase 39% em relação a 2024. Com esses números, Roraima passa a figurar entre os estados com maior taxa proporcional desse tipo de crime no país.
Diante desse cenário, iniciativas de prevenção e conscientização têm sido realizadas no Estado, com o objetivo de alertar a população e fortalecer a rede de proteção às mulheres. No último dia 8 de março, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, uma carreata percorreu avenidas de Boa Vista para chamar a atenção da sociedade para o enfrentamento à violência de gênero. A mobilização reuniu representantes de instituições públicas, movimentos sociais e membros da rede de atendimento à mulher em situação de violência.
A presidente do Motoclube Amazonas de Aço, Valeska Carvalho, destacou a importância do movimento. “Esses movimentos que unem mulheres é bom para trazer ao público, para que as pessoas vejam mais e pensem sobre o que realmente significa esse dia. É um dia de conscientização sobre direitos, sobre o fim da violência”, afirmou.
Valeska também ressaltou a necessidade de reflexão constante. “A gente vê todos os dias nos jornais casos de feminicídio. Então, todo o movimento que a gente tem em prol de reflexão e de mudança de cultura é muito bem-vindo”, completou.
Além das ações de conscientização, outras iniciativas buscam fortalecer a segurança e a autonomia das mulheres. Uma delas é o curso gratuito de defesa pessoal, oferecido pela Secretaria Especial da Mulher do Poder Legislativo em Roraima, que ensina técnicas de prevenção e autoproteção.

A Coordenadora Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Graça Policarpo, destacou a importância da iniciativa. “Elas não estavam tão seguras, então agora a gente vai ficar até dezembro com essas turmas, a gente vai fazer simulações reais, exemplo, como se desvencilhar de um caso no Uber. Então a gente vai trazer esses casos bem reais aqui para as nossas assistidas”, explicou.
A jornalista Vitória Moura, que acompanha as notícias locais, decidiu se inscrever no curso. “Achei muito interessante porque, infelizmente, a gente sabe que Roraima lidera os casos de feminicídio, de violência contra a mulher, então eu acho que é primordial que nós mulheres possamos participar de uma iniciativa tão importante como essa para que a gente possa se sentir mais segura e também combater esse tipo de violência”, disse.
Em todo o Estado, a Rede de Proteção às Mulheres conta com serviços como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a Casa da Mulher Brasileira e a Defensoria Pública do Estado. As iniciativas buscam ampliar a conscientização da sociedade e reforçar a importância da denúncia para prevenir casos de violência e feminicídio.
Se você, mulher, estiver sendo vítima de violência, os agressores podem ser denunciados pelo disque 180, Canal Nacional de Atendimento às Vítimas.
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