A Operação Apoio Imediato entrou em uma nova fase nesta sexta-feira, 12, com os níveis dos rios estabilizados na maior parte do estado e o foco das equipes deslocado para o levantamento de danos em estradas, pontes e comunidades, somado à distribuição programada de ajuda humanitária.
Próximas entregas de cestas básicas, água mineral e filtros ecológicos estão previstas para Iracema e Caracaraí no fim de semana.
“Hoje a operação está operacionalizando os levantamentos dos danos causados às estruturas de estradas, pontes e comunidades isoladas, e fazendo a distribuição de apoio humanitário: cestas básicas, água mineral e filtros ecológicos. Há uma programação de atendimento para Iracema e Caracaraí nos próximos dias, provavelmente domingo [14] e segunda-feira [15]”, informou o porta-voz da operação, tenente-coronel Genival Vasconcelos, diretor de Relações Públicas do CBMRR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima).
Segundo o boletim situacional da Cepdec (Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil) e do CBMRR, a operação registra 71 pontos críticos ativos em 12 municípios, com 12 bloqueios totais, 9 parciais e 35 famílias desalojadas. O levantamento contabiliza mais de 37 mil pessoas atingidas pelas chuvas intensas em todo o estado.
Dez municípios em emergência
O número de municípios com situação de emergência decretada permanece em dez, todos com reconhecimento estadual homologado. Bonfim e Uiramutã já foram reconhecidos pela União e estão em processo de recebimento dos recursos federais; para os demais, a Defesa Civil Estadual encaminha a documentação para que o governo federal também reconheça a situação.
“Caroebe e São João da Baliza não decretaram e não vão decretar, mas isso não impede que recebam ajuda humanitária, até porque esses municípios também têm alguns pontos críticos”, explicou Vasconcelos. Nesta quinta-feira (11), equipes do CBMRR apoiaram a Setrabes(Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social) na distribuição de 1.200 cestas em Caroebe e 2.000 em São João da Baliza.
Jacamim: primeira região atingida, ainda assistida
Símbolo do início da operação, a região do Jacamim, em Bonfim, segue dependente de baldeação. A ponte destruída pelas cheias no fim de maio mantém comunidades sem acesso terrestre, e o transporte de moradores por embarcação continua diariamente.
Nesta quinta (11), foram transportadas 80 pessoas e nove motocicletas no trecho, além de gêneros da merenda escolar, com o rio cerca de dois metros abaixo do dia anterior.
“O Corpo de Bombeiros, por meio da Defesa Civil, tem mantido todos esses municípios com equipes de levantamento e de apoio, como é o caso de Jacamim, que foi a primeira região atingida e que até hoje [sexta, 12], por conta do rompimento da ponte, ainda está sendo assistida com baldeação”, destacou o porta-voz.
Pacaraima e Amajari seguem críticos
Entre as frentes mais graves identificadas na semana, a ponte do Médio São Marcos, em Pacaraima, queimada desde março, mantém nove comunidades ilhadas – cerca de mil pessoas sem acesso terrestre. Em Amajari, vistorias confirmaram atoleiros extremos nas vicinais do Assentamento Trairão e na Vicinal 7, com as comunidades indígenas Leão de Ouro e Santa Inês isoladas, segundo a Nota Informativa nº 5 do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) Leste. Lideranças locais relataram às equipes que a água já começou a baixar na região.
Balanço humanitário
Desde o início da operação, foram entregues 1.600 cestas básicas e 195 filtros ecológicos, com 1.604 pessoas transportadas por baldeação e cerca de 8.800 assistidas. O Exército Brasileiro e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) atuam em conjunto no apoio logístico em Normandia, e a ONG ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) se dispôs a fornecer kits de higiene às comunidades atingidas do município.
Rios estáveis, chuva ainda no radar
O rio Branco registrou 7,44 metros em Boa Vista nesta quarta-feira (11), em oscilação descendente e bem abaixo da máxima histórica do mês de junho (10,28 m).
Em Caracaraí, a cota baixou para 8,94 metros, com tendência de estabilização. O rio Cotingo, em Uiramutã, caiu para 2,55 metros.
“Temos uma condição de melhoramento climático, com os níveis dos rios estáveis e baixando. Mas, com a probabilidade de algumas pancadas de chuva nos próximos dias, pode ser que isso se eleve um pouco mais”, ponderou Vasconcelos.
O Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) segue indicando chuvas acima da média para junho e julho, os meses mais intensos do inverno amazônico.
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