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Estiagem e queimadas refletem em aumento de atendimentos por problemas respiratórios

Hospital da Criança teve crescimento de 18% nos casos em fevereiro; rede estadual também registra alta.

Estiagem e queimadas refletem em aumento de atendimentos por problemas respiratórios
Foto: Ascom/Sesau
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O período de estiagem e o aumento das queimadas em Roraima já começam a refletir na saúde da população, com crescimento no número de atendimentos por sintomas respiratórios nas unidades de saúde.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que o Hospital da Criança Santo Antônio registrou 7.276 atendimentos relacionados a sintomas respiratórios em fevereiro de 2026, um aumento de 18% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 6.134 casos.

Somente em fevereiro deste ano, 20% dos atendimentos realizados na unidade, o equivalente a 1.455 registros, estavam relacionados a problemas respiratórios.

Também houve aumento nas notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Foram 108 registros em fevereiro de 2026, enquanto no mesmo período do ano passado houve 49 casos.

As internações também cresceram. Em fevereiro deste ano, 650 crianças foram hospitalizadas, sendo que 53% das internações estavam relacionadas a sintomas respiratórios. Já em fevereiro de 2025, das 420 internações registradas, 30% tiveram como causa doenças respiratórias.

Na rede estadual de saúde, o Pronto Atendimento Cosme e Silva também registrou aumento nos atendimentos por agravos respiratórios. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, foram 740 atendimentos por infecções das vias aéreas em janeiro de 2026 e 853 em fevereiro, somando 1.593 registros nos dois primeiros meses do ano.

Em relação aos casos de pneumonia, a unidade contabilizou 195 atendimentos em janeiro e 140 em fevereiro, totalizando 335 registros no período.

Segundo o médico infectologista Joel Gonzaga, o ar seco típico do período de estiagem favorece o surgimento de inflamações e infecções respiratórias.

“O número de atendimentos médicos em clínicas ou hospitais aumenta sempre nessas épocas onde o ar fica mais seco. Nós estamos vivendo um momento de seca no nosso estado e a diminuição da quantidade de água no ar que respiramos”, explicou.

O especialista destaca que a fumaça das queimadas também agrava a situação, pois compromete a proteção natural das vias aéreas.

“A quantidade de fumaça e de outros resíduos no ar vai causar consequências na proteção das nossas vias aéreas e facilitar a entrada de vírus, bactérias e fungos, além de provocar processos alérgicos e inflamatórios”, afirmou.

Entre as orientações, o infectologista recomenda manter o organismo hidratado e evitar ambientes com grande circulação de pessoas.

“É importante reforçar a hidratação, manter uma alimentação saudável e evitar ambientes fechados e com aglomeração, principalmente quando há pessoas com sintomas respiratórios”, orientou.

A nutricionista Edi Oliveira, moradora de Boa Vista, conta que já sentiu os efeitos da fumaça e da baixa umidade do ar neste período.

“Eu enfrentei uma crise alérgica, espirrando muito e me sentindo um pouco cansada. Eu sinto muito isso à noite, que é exatamente a hora que a gente vê aquela fumaça, o céu da noite todo branco. Aqui em casa está difícil, tanto eu quanto minha filha estamos sentindo. Tenho tentado beber muita água e reforçar vitaminas como C e D”, disse.

Dados divulgados pelo Governo de Roraima indicam que 922 focos de incêndio foram registrados no estado entre novembro do ano passado e fevereiro de 2026. Somente em fevereiro, o combate às queimadas mobilizou 350 bombeiros militares, 148 brigadistas e 21 viaturas.

As queimadas não autorizadas são consideradas crime ambiental e podem ser denunciadas pelos telefones 193 e 199, ou pelo WhatsApp (95) 98406-5439.

FONTE/CRÉDITOS: Lauany Gonçalves
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