Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (25), e garantiu um novo mandato à frente da Presidência da República. Em uma disputa marcada pela polarização política, o resultado representa mais um capítulo da trajetória de um dos nomes mais conhecidos da política brasileira.
Com 51,77% dos votos válidos, segundo a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula superou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno. A votação mobilizou eleitores em todo o país e no exterior, em uma eleição que colocou novamente em lados opostos projetos políticos distintos para o Brasil.
De Pernambuco ao centro da política brasileira
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Lula é o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello. Ainda criança, deixou o Nordeste com a família em busca de melhores condições de vida em São Paulo, em uma viagem que marcou o início de uma trajetória ligada à migração e ao trabalho.
Na infância, viveu em condições simples e começou a trabalhar ainda muito jovem. Aos 12 anos, teve ocupações como engraxate e auxiliar em uma tinturaria. Mais tarde, formou-se torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e passou a trabalhar na indústria metalúrgica.
Foi no ABC paulista, região industrial de São Paulo, que Lula começou a ganhar projeção pública. A experiência nas fábricas o aproximou do movimento sindical, e ele se tornou presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975.
Durante o final da década de 1970, liderou mobilizações e greves de trabalhadores em meio à ditadura militar. Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado de sindicalistas, intelectuais, lideranças sociais e outros representantes de movimentos populares.
A atuação sindical marcou sua entrada definitiva na política nacional. Em 1986, Lula foi eleito deputado federal por São Paulo, com a maior votação para o cargo naquele pleito, e participou dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte.
As derrotas, a chegada à Presidência e o retorno ao poder
A primeira candidatura de Lula à Presidência ocorreu em 1989, na primeira eleição presidencial direta após o período da ditadura militar. Ele chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello.
O petista voltou a disputar o cargo em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso. A sequência de derrotas não encerrou sua trajetória eleitoral. Em 2002, Lula venceu a eleição presidencial e assumiu o governo em janeiro de 2003, tendo José Alencar como vice-presidente.
Durante os dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, seu governo ficou associado a políticas de transferência de renda, à expansão do acesso ao ensino superior, à valorização do salário mínimo e a iniciativas de combate à pobreza. O período também foi marcado por controvérsias políticas e escândalos de corrupção, entre eles o mensalão.
Após deixar a Presidência em 2010, Lula permaneceu como uma figura central no debate político nacional. Em 2017, foi condenado em processos relacionados à Operação Lava Jato e chegou a ficar preso por 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações da Justiça Federal de Curitiba contra Lula por questões relacionadas à competência jurisdicional. A decisão restabeleceu seus direitos políticos, permitindo que voltasse a disputar eleições. A anulação não equivale a uma declaração de inocência sobre todas as acusações que enfrentou.
Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno e retornou à Presidência em janeiro de 2023, tornando-se o primeiro presidente brasileiro eleito três vezes pelo voto direto para exercer o cargo. A vitória de 2026, caso confirmada nos termos deste cenário, acrescentaria mais um capítulo à sua trajetória eleitoral.
Vida pessoal e família
A história de Lula também é marcada pela vida familiar. Ele é pai de cinco filhos e teve dois casamentos anteriores: com Maria de Lourdes da Silva, que morreu em 1971, e com Marisa Letícia Lula da Silva, com quem foi casado por mais de quatro décadas. Marisa morreu em 2017.
Em maio de 2022, Lula se casou com a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja. Ela passou a acompanhá-lo em compromissos públicos e institucionais durante a campanha eleitoral e o terceiro mandato presidencial.
A trajetória pessoal do presidente, desde a infância em Pernambuco até a vida pública em Brasília, tornou-se parte importante de sua imagem política. A origem operária e a atuação sindical são elementos frequentemente destacados em sua biografia e na maneira como construiu sua relação com parte do eleitorado brasileiro.
Um novo capítulo na política nacional
A vitória nas urnas abre um novo período para Lula e para o país. O resultado de 2026 deverá ser acompanhado por debates sobre economia, programas sociais, geração de empregos, segurança pública, meio ambiente e a relação entre o governo federal e o Congresso Nacional.
A eleição também evidencia a continuidade da polarização política no Brasil, com projetos distintos disputando apoio popular e espaço institucional.
Com a confirmação oficial do resultado, Lula se prepara para iniciar um novo mandato presidencial em janeiro de 2027. A votação deste domingo passa a integrar a história política do país e a trajetória de um presidente cuja carreira foi construída ao longo de décadas de atuação sindical, disputas eleitorais e exercício do poder.
Comentários: