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Mães atípicas da Polícia Civil conciliam missão profissional e cuidado integral com os filhos

Servidoras compartilham desafios e superações na rotina entre a segurança pública e a maternidade atípica.

Mães atípicas da Polícia Civil conciliam missão profissional e cuidado integral com os filhos
Foto: Ascom/PCRR
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Ser policial civil exige preparo, coragem e equilíbrio emocional diante de situações extremas. Para mães policiais, essa missão se estende para além da rotina profissional. No caso das mães atípicas, aquelas que dedicam suas vidas também aos cuidados especiais de filhos com transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ou outras condições específicas, essa jornada ganha contornos ainda mais profundos, marcados por desafios diários, sobrecarga emocional e uma força que ultrapassa os limites da profissão.

Neste Dia das Mães, histórias de servidoras da Polícia Civil de Roraima revelam a realidade de mulheres que conciliam o compromisso com a segurança pública e a dedicação incondicional à maternidade, enfrentando obstáculos muitas vezes invisíveis à sociedade. 

A agente de polícia Carmen Lúcia de Araújo tornou-se mãe aos 35 anos e, desde então, equilibra a carreira policial com a criação do filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista, TDAH e deficiência intelectual. Quando recebeu o diagnóstico, em uma época em que o tema ainda era pouco discutido, Carmen precisou enfrentar incertezas, buscar conhecimento e adaptar toda sua rotina.

Durante a pandemia da covid-19, Carmen enfrentou uma das maiores dores de sua vida: perdeu o marido, policial militar, vítima da doença. Desde então, assumiu sozinha a responsabilidade integral pela criação do filho.

A rotina, segundo ela, exige organização constante, resistência emocional e capacidade de adaptação permanente. “Meu filho hoje tem 17 anos e ainda necessita de acompanhamento constante para atividades básicas. Cada dia traz novos desafios, novas necessidades e aprendizados. Ser mãe atípica e policial é viver duas missões intensas, ambas guiadas pelo amor e pela responsabilidade”, destacou.

Mesmo diante das dificuldades, Carmen ressalta que a maternidade ampliou sua sensibilidade e fortaleceu sua capacidade de acolhimento, inclusive dentro da atividade policial.

Outra realidade que retrata essa jornada é a da escrivã de polícia Elane Lima, mãe de duas filhas, sendo uma delas diagnosticada com autismo nível de suporte 2, além de TDAH e ansiedade elevada.

Elane relata que sua trajetória foi marcada por batalhas silenciosas, falta de apoio e uma busca persistente pelo diagnóstico e tratamento adequado para a filha.

“Ser mãe atípica é viver uma rotina intensa, cansativa e, muitas vezes, solitária. É enfrentar a falta de compreensão, adaptar toda a vida em função das terapias, da educação diferenciada, das noites mal dormidas e das inúmeras demandas emocionais. Mas, acima de tudo, é uma missão de amor. Minha filha é um presente de Deus, e tudo o que aprendo com ela transforma minha vida diariamente”, afirmou.

A escrivã destaca que a maternidade atípica exige uma entrega integral, onde cada avanço da criança representa uma conquista construída com esforço, persistência e fé. “A luta é diária, é para toda vida. Não é fácil, mas é profundamente gratificante”, completou.

A escrivã de polícia Ezelina Araújo da Silva, lotada no 1⁰ Distrito Policial, também representa de forma marcante essa realidade. Mãe de três filhos, sendo o mais velho diagnosticado com autismo e TDAH, além de outros dois filhos com TDAH, ela vivenciou durante anos os desafios da ausência de informação sobre transtornos do neurodesenvolvimento, especialmente quando o tema ainda era pouco debatido. 

Segundo Ezelina, o diagnóstico tardio do filho mais velho trouxe dificuldades significativas, marcadas inicialmente pela incompreensão, insegurança e desafios na convivência familiar.

“Há 20 anos, quase não se falava sobre autismo ou TDAH. Eu percebia algumas diferenças, mas não compreendia totalmente. O diagnóstico trouxe respostas, compreensão e permitiu que nossa família pudesse buscar o acompanhamento necessário”, relatou. 

Ela destaca que conciliar a rotina policial com terapias, consultas, escola e atividades complementares exige esforço contínuo, organização e grande resistência emocional.

“Não é fácil. É uma missão difícil equilibrar trabalho, maternidade atípica e todas as necessidades dos filhos. Mas, ao mesmo tempo, o diagnóstico e o acompanhamento trouxeram mais leveza, porque passamos a compreender melhor nossos filhos e também a nós mesmas”, afirmou.

Ezelina também reconhece a importância do ambiente profissional acolhedor para que consiga desempenhar sua função com dedicação. “Procuro dar o meu melhor como mãe e como profissional. Amo minha profissão, amo meus filhos e sigo com gratidão, coragem e amor”, declarou.

Além das servidoras que enfrentam diretamente os desafios da maternidade atípica, a delegada-geral Simone Arruda do Carmo, mãe de dois filhos e gestora da Polícia Civil de Roraima, reforça que ser mãe e policial compartilha um elemento essencial: o acolhimento.

“As vítimas precisam de acolhimento, e a mãe, por essência, sabe acolher. Ao chegar em casa, é necessário deixar para trás o peso da violência enfrentada no trabalho para atender às necessidades emocionais dos filhos”, ressaltou.

Neste Dia das Mães, a delegada-geral da Polícia Civil de Roraima, Simone Arruda do Carmo, reconhece a força, a dedicação e a resiliência das mulheres que exercem simultaneamente o compromisso com a segurança pública e a missão de cuidar de suas famílias, muitas vezes enfrentando desafios extraordinários com coragem, sensibilidade e perseverança.

“Ser mãe e ser policial civil é carregar diariamente o compromisso com o cuidado, a proteção e o acolhimento. Essas mulheres representam, dentro e fora de casa, a verdadeira essência da força, do amor e da superação”, destacou a delegada-geral.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Secom Roraima | Ana Karoline e Sandra Lima
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