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Pintura que fala: identidade e resistência no Dia dos Povos Indígenas

Em Roraima, grafismos continuam sendo uma linguagem viva que une tradição, espiritualidade e identidade indígena.

Pintura que fala: identidade e resistência no Dia dos Povos Indígenas
Rarisson Raposo Macuxi
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O 19 de abril, conhecido como Dia dos Povos Indígenas, é uma data que convida à reflexão sobre a história, os direitos e, principalmente, a permanência cultural dos povos originários no Brasil. Criada em 1943, a data tem origem no Congresso Indigenista Interamericano de 1940, marco importante na luta por reconhecimento e respeito às populações indígenas.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 1,7 milhão de indígenas, segundo o Censo 2022, com forte concentração na região Norte . Em Roraima, essa presença é ainda mais significativa: o estado conta com aproximadamente 97 mil indígenas, sendo o que possui a maior proporção dessa população no país . A maioria vive em Terras Indígenas, mantendo práticas culturais que atravessam gerações e seguem vivas no cotidiano.

Tradição que se expressa no corpo

Entre essas práticas, os grafismos, ou pinturas corporais, ocupam um lugar de destaque. Mais do que estética, eles são uma linguagem visual milenar, formada por padrões geométricos e simétricos que identificam clãs, expressam papéis sociais e marcam momentos importantes como rituais e celebrações.

Jarisson Raposo Macuxi
Foto: Rarisson Raposo Macuxi

 

Cada traço carrega um significado. Cada pintura é uma narrativa. É no corpo que a cultura se manifesta de forma visível, conectando passado, presente e futuro.

Para o artista indígena Jarisson Raposo Macuxi, que trabalha há oito anos com pintura corporal e produção de panelas de barro, essa expressão vai além da arte:

“A gente fala que a pintura corporal é identidade. É um protesto dentro da sociedade. A pintura corporal vem sendo muito reforçar a identidade de um povo e cultura.”

Cultura viva, força e resistência

A pintura também está ligada ao espiritual e ao individual. Não se limita apenas a momentos festivos, mas também ao autoconhecimento e ao cuidado.

“As pinturas, elas são feitas em festas, eventos, mas muitas das vezes, quando a gente vai pintar, tem pessoas que buscam, mesmo pela questão de curar, de se entender e entender o que se passa consigo”, explica Jarisson.

Keisy Julienne
Foto: Keissy Julienne

 

Elementos naturais, como o genipapo, são fundamentais nesse processo. O preparo varia entre os povos, revelando a diversidade dentro da própria tradição. Ele ainda destaca as diferentes técnicas utilizadas:

“Tem povo que enterra o genipapo por 30 dias, depois tira e vai fazer a tinta. Tem povo que rala com tudo, cada um vai fazendo de uma forma. Eu uso apenas a semente do genipapo. Eu ralo e pilo ela. Aí, às vezes, eu misturo com carvão, ou às vezes não.”

Essas variações mostram que, mesmo dentro de uma mesma prática, existe riqueza cultural e diversidade. Cada povo, cada artista e cada território imprime sua identidade nos grafismos.

No Dia dos Povos Indígenas, falar sobre pintura corporal é reconhecer que tradição, cultura e força seguem presentes. Em Roraima, onde essa herança é parte fundamental da identidade local, os grafismos continuam sendo uma forma de resistência, uma maneira de afirmar quem são, de onde vêm e por que seguem existindo.

FONTE/CRÉDITOS: Luana de Oliveira
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