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Congresso terá dois anos para criar regras sobre mineração em terras indígenas

Supremo confirmou decisão de Flávio Dino após mais de 37 anos sem regulamentação prevista na Constituição.

Congresso terá dois anos para criar regras sobre mineração em terras indígenas
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta quinta-feira (13), por maioria, a decisão do ministro Flávio Dino que deu 24 meses para o Congresso regulamentar a exploração de minérios em terras indígenas. Com isso, o julgamento da matéria foi concluído.

O processo foi apresentado por organizações do povo Cinta Larga, de Rondônia e Mato Grosso. A Constituição prevê que a pesquisa e a lavra mineral nessas áreas dependem de autorização do Congresso, consulta às comunidades afetadas e participação dos indígenas nos resultados. A regulamentação está parada há mais de 37 anos.

A advogada Marilda de Paula Silveira, que representou os Cinta Larga, criticou a demora:

"O que a gente está dizendo para os indígenas, de outra forma, é que a gente consegue regulamentar meios de comunicação digital, bets, agricultura e mineração privada, mas a gente não consegue regulamentar o direito dos indígenas de exercer o seu direito, a sua prerrogativa constitucional de ter o usufruto dos ganhos do solo que sempre foi deles."

Regras provisórias

Em fevereiro, Dino reconheceu a ausência de regulamentação do Congresso e estabeleceu regras provisórias para o período até a aprovação da lei. Entre elas estão consulta às comunidades; estudos de impacto ambiental; participação nos resultados; limite de 1% da área demarcada para extração; e preferência por cooperativas indígenas. A decisão também determinou que a União combatesse e retirasse o garimpo ilegal das terras Cinta Larga, com um plano específico de desintrusão na terra indígena Roosevelt.

O ministro Flávio Dino sustentou que o próprio Supremo já reconheceu uma omissão semelhante no caso de Belo Monte e fixou prazo para o Congresso regulamentar a questão.

"Nós tivemos um pronunciamento no sentido de reconhecer a omissão, a mesma omissão que nós estamos debatendo nesses autos, no referendo da medida cautelar no mandado de injunção 7490. Então, nós temos um precedente do plenário reconhecendo a existência da omissão inconstitucional, friso, decisão referendada por unanimidade."

AGU foi contra

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu que a decisão não fosse confirmada. Para a União, a Constituição não garante aos indígenas um direito imediato à exploração mineral, que dependeria de regulamentação pelo Congresso.

Representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil também fizeram ressalvas e afirmaram que não há consenso entre os povos indígenas sobre a mineração. Eles defenderam consulta livre, prévia e informada antes de qualquer decisão.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, ficou parcialmente vencido no julgamento, mas acompanhou o prazo de 24 meses. Fux e Mendonça estavam ausentes na proclamação do resultado.

FONTE/CRÉDITOS: Por Pedro Lacerda – Repórter da Rádio Nacional
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