Em pronunciamento realizado nesta quarta-feira (7), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, apresentou o plano americano para a Venezuela, estruturado em três fases, cujo objetivo final é a transição de poder no país, hoje sob controle da vice-presidente Delcy Rodríguez, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro no último sábado (3).
De acordo com Rubio, as etapas são as seguintes:
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Estabilização do país, incluindo uma “quarentena” no mercado internacional e a apreensão de ativos petrolíferos;
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Recuperação econômica, com abertura do mercado venezuelano a empresas estrangeiras e um processo de “reconciliação nacional”;
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Transição política, sem menção a eleições ou prazos específicos.
Questionada sobre um possível calendário eleitoral, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, considerou a ideia “muito prematura”.
Ação imediata: apreensão de petroleiros
Como parte da fase de estabilização, os EUA anunciaram nesta quarta a apreensão dos petroleiros Marinera (bandeira russa) e Sophia, ambos vinculados ao comércio de petróleo venezuelano. Rubio afirmou que os recursos obtidos com a venda do óleo serão controlados por Washington e destinados a “beneficiar o povo venezuelano, não a corrupção”.
A Rússia repudiou a ação, classificando-a como violação do direito marítimo. Os EUA defendem a legalidade da medida, alegando que os navios operavam sob bandeira falsa.
Cenário político na Venezuela
Com Maduro preso, o poder está temporariamente com Delcy Rodríguez, vice-presidente chavista que assumiu por determinação da Suprema Corte venezuelana por 90 dias, período passível de prorrogação. Rodríguez, de 56 anos, é conhecida por sua ligação com setores privados e por sua trajetória familiar marcada pela resistência ao antigo governo apoiado pelos EUA.
Em resposta às declarações de Rubio, Rodríguez já havia afirmado na terça-feira (6) que “não há agente externo governando a Venezuela”.
Próximos passos sob sigilo
Embora tenha esboçado as fases do plano, Rubio evitou detalhar mecanismos sensíveis ou confirmar novas operações militares em território venezuelano. A estratégia americana segue em elaboração, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos de uma das crises geopolíticas mais complexas da atualidade.
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